5 filmes que exploram as fronteiras da loucura coletiva

Cinco filmes onde grupos, comunidades e sociedades atravessam as fronteiras da loucura coletiva, entre histeria e inconsciente social.
5 filmes que exploram as fronteiras da loucura coletiva
Foto: Midsommar (2019) / Divulgação / MUBI

A loucura coletiva não nasce apenas do colapso individual. Ela surge quando crenças, medos, rituais ou estruturas sociais passam a ser compartilhados sem questionamento, criando consensos que normalizam o absurdo. O cinema explora esse fenômeno ao mostrar comunidades inteiras atravessando limites éticos, psicológicos e simbólicos. A seguir, cinco filmes emblemáticos, em ordem cronológica crescente, que investigam essas fronteiras de maneiras distintas e complementares.

O Iluminado (The Shining, 1980)

Em O Iluminado, Stanley Kubrick acompanha a deterioração mental de Jack Torrance durante o isolamento em um hotel assombrado. À primeira vista, trata-se de uma loucura individual. No entanto, o filme amplia o tema ao transformar o Overlook em um espaço que acumula violências históricas, tragédias repetidas e ecos de um passado coletivo. A loucura de Jack não surge do nada: ela dialoga com uma memória social que insiste em se repetir. Assim, o filme opera no limite entre o colapso pessoal e uma insanidade herdada, quase institucional.

A Onda (Die Welle, 2008)

A Onda apresenta um experimento escolar que foge rapidamente do controle. Um professor decide demonstrar como regimes autoritários surgem e, sem perceber, cria um movimento baseado em obediência, identidade coletiva e exclusão. O filme mostra como pessoas comuns, em pouco tempo, adotam comportamentos extremos quando se sentem parte de algo maior. Aqui, a loucura coletiva se manifesta de forma concreta, social e política, revelando como o grupo dissolve a responsabilidade individual.

A Bruxa (The Witch, 2015)

Ambientado na Nova Inglaterra do século XVII, A Bruxa acompanha uma família isolada que se desintegra sob o peso do fanatismo religioso e do medo do desconhecido. A loucura coletiva emerge da histeria moral, da repressão e da paranoia compartilhada. Cada suspeita alimenta a próxima, até que o delírio se torna a única lente possível para interpretar a realidade. O filme expõe como crenças rígidas, quando absolutas, constroem um colapso psicológico que atinge todos ao redor.

Nós (Us, 2019)

Em Nós, Jordan Peele constrói uma alegoria inquietante sobre o inconsciente coletivo. A história gira em torno de duplos que emergem das sombras para confrontar aqueles que vivem na superfície. A loucura aqui não aparece como histeria explícita, mas como um desequilíbrio estrutural e social reprimido por décadas. O filme sugere que sociedades inteiras podem funcionar de maneira aparentemente normal enquanto empurram sua violência para camadas invisíveis, criando um delírio coletivo silencioso.

Midsommar (2019)

Midsommar leva o conceito de loucura coletiva ao seu ponto mais explícito. Um grupo de jovens visita uma comunidade isolada que vive segundo rituais próprios, completamente coerentes para seus membros, mas chocantes para qualquer observador externo. O filme mostra como a repetição ritualística, o consenso social e a ausência de questionamento transformam práticas extremas em normalidade. Aqui, a loucura não é desvio: ela é regra, tradição e identidade compartilhada.

Rogério Victorino

Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.

VER PERFIL

Aviso de conteúdo

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.

Deixe um comentário

Veja Também