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5 filmes sobre deuses que caminham entre os mortais
O cinema sempre desconfiou de uma ideia incômoda: e se o divino não estivesse tão distante assim? E se um deus, em vez de permanecer no céu, resolvesse caminhar entre pessoas comuns, como quem observa um experimento por dentro? Esse tipo de narrativa funciona porque mistura fé, poder, desejo e moralidade. Além disso, ela costuma revelar o que os humanos fazem quando descobrem que não estão sozinhos. A seguir, estão cinco filmes que colocam deuses em contato direto com o mundo dos mortais.
Fúria de Titãs (Clash of the Titans) (1981)
Fúria de Titãs leva a mitologia grega para o cinema com um tom de aventura clássica. Aqui, os deuses do Olimpo não apenas existem, como também interferem diretamente na vida humana. Zeus, Atena e outros aparecem como forças visíveis, com vontade própria e humor instável. Enquanto isso, Perseu enfrenta monstros e profecias, porém o filme deixa claro que o verdadeiro perigo vem do capricho divino. Assim, a obra transforma a ideia de “deus entre mortais” em um jogo de poder onde os humanos viram peças.
Thor (Thor) (2011)
Em Thor, a Marvel atualiza o mito nórdico e coloca um deus literalmente exilado na Terra. Thor perde seus poderes e cai em uma cidade pequena, onde precisa reaprender a viver como humano. O filme usa esse choque cultural para discutir humildade, identidade e responsabilidade. Ao mesmo tempo, ele apresenta um deus que sangra, erra e amadurece. Por isso, a narrativa funciona como uma parábola moderna: o divino só se torna digno quando aceita o peso do mundo real.
Deuses do Egito (Gods of Egypt) (2016)
Deuses do Egito aposta no espetáculo e trata seus deuses como seres físicos, gigantescos e politicamente envolvidos com o destino humano. Set e Hórus caminham entre mortais como governantes armados, e a disputa entre eles transforma cidades em campos de guerra. Embora o filme adote um tom de fantasia exagerada, ele acerta em um ponto essencial: quando um deus vive no mesmo chão que o povo, ele também vira tirano, salvador ou ameaça. Dessa forma, o filme retrata o divino como poder material, e não apenas espiritual.
Thor: Ragnarok (Thor: Ragnarok) (2017)
Thor: Ragnarok amplia o conceito ao mostrar deuses que vivem crises como qualquer mortal, embora carreguem poderes absurdos. Thor perde o martelo, perde o controle e, ainda assim, precisa liderar seu povo. Enquanto isso, Hela surge como uma divindade que carrega o lado sombrio da história, aquilo que o mito tentou esconder. O filme mistura humor e tragédia, porém revela uma ideia central: deuses também criam ruínas. E, quando caminham entre mortais, eles não trazem apenas proteção, mas também heranças tóxicas.
Eternos (Eternals) (2021)
Eternos trabalha com a noção de divindade de forma mais filosófica. Os protagonistas não são deuses no sentido clássico, porém vivem como figuras míticas, imortais e invisíveis, presentes na história humana há milênios. Eles caminham entre os mortais, criam vínculos, observam guerras e testemunham tragédias. No entanto, o filme insiste em uma pergunta desconfortável: qual é a diferença entre um deus e um espectador poderoso demais para se envolver? Assim, a narrativa denuncia o paradoxo do divino moderno, que existe, mas hesita, e que ama, mas também abandona.
Esses filmes funcionam porque tratam de um medo antigo: o de que o divino não seja apenas luz, mas também julgamento, manipulação e desejo. Ao mesmo tempo, eles também sugerem que, quando um deus caminha entre mortais, ele revela mais sobre a humanidade do que sobre o céu. E talvez seja por isso que esse tema nunca sai de moda.
Rogério Victorino
Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.
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