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Adolescentes em perigo: instituto cobra ação das plataformas digitais para garantir segurança
Um ataque brutal ocorrido no Rio de Janeiro reacendeu o debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais na proteção de crianças e adolescentes, conforme noticiou a Agência Brasil. Durante uma transmissão ao vivo, um adolescente de 17 anos jogou coquetéis molotov em um homem em situação de rua. A vítima sobreviveu, contudo, sofreu queimaduras em 70% do corpo e permanece internada em estado grave.
A Polícia Civil identificou que o crime foi articulado em um servidor do Discord, uma plataforma bastante popular entre os jovens. Usuários ofereceram R$ 2 mil como recompensa para quem realizasse o ataque. Portanto, esse fato evidencia não apenas a gravidade do episódio, bem como a atuação de uma organização criminosa que incentiva crimes cibernéticos.
Além disso, os investigadores apuram se os administradores do servidor cometeram crimes de ódio, tentativa de homicídio, instigação ao suicídio, maus-tratos a animais, apologia ao nazismo e divulgação de pornografia infantil. Por causa da gravidade dos indícios, duas agências dos Estados Unidos elaboraram relatórios que auxiliaram diretamente nas investigações no Brasil.
Famílias, escolas e empresas dividem a responsabilidade
O Instituto Alana, organização da sociedade civil que atua na promoção e defesa dos direitos das crianças, defende que a responsabilidade por ambientes digitais seguros deve ser compartilhada entre famílias, escolas, empresas de tecnologia e o poder público. Rodrigo Nejm, coordenador de educação digital do instituto, afirma que as big techs precisam adotar medidas eficazes de segurança.
Segundo ele, as plataformas devem assumir a responsabilidade quando falham na proteção de usuários mais jovens. Além disso, ele destaca a importância de algoritmos que deixem de recomendar conteúdos violentos ou prejudiciais. Nejm também chama atenção para os chamados designs manipulativos, que mantêm usuários conectados e causam impactos negativos à saúde mental.
Verificação de idade e regulação exigem urgência
Um dos pontos centrais da discussão gira em torno da verificação etária. Assim, Nejm critica a autodeclaração e defende métodos mais robustos, especialmente em redes sociais e sites com conteúdo adulto.
O Projeto de Lei nº 2628/2022, já aprovado no Senado e em tramitação na Câmara, propõe a exigência de verificação de idade em redes sociais. Para o especialista, a medida pode dificultar o acesso precoce de crianças a conteúdos inadequados. No entanto, ele ressalta que também é fundamental proteger aqueles que já vivem expostos ao ambiente digital.
Conforme explica, diferentes plataformas devem adotar níveis distintos de rigor, conforme os riscos envolvidos. Apesar disso, ele insiste que o Brasil precisa aprovar uma regulação nacional que obrigue essas medidas o quanto antes.
Violência digital ganha destaque em produções culturais
A violência digital também tem sido tema de obras culturais recentes. A série britânica Adolescência, disponível na Netflix, retrata o assassinato de uma jovem, possivelmente cometido por um colega de escola. A trama revela como os adolescentes vivem imersos em um universo digital que, muitas vezes, pais e autoridades desconhecem.
A psicóloga e neuropsicóloga Juliana Gebrin, do Instituto de Psicologia Aplicada e Formação de Portugal, afirma que a série contribui para a conscientização sobre o bullying em ambientes físicos e virtuais. Segundo ela, prevenir é sempre o melhor caminho, o que exige atenção constante de famílias e escolas.
Juliana também observa que muitos agressores já sofreram bullying, o que ajuda a compreender, mas jamais a justificar os comportamentos. Na visão dela, quem pratica bullying frequentemente busca afirmação por meio do sofrimento alheio e pode apresentar traços de psicopatologia.
Bullying provoca traumas e compromete relações sociais
Com base na experiência clínica, Juliana afirma que o bullying atinge especialmente quem não se encaixa nos padrões sociais. Por exemplo, crianças e adolescentes LGBTQIA+, pessoas com deficiência, tímidos ou com comportamentos diferentes formam os grupos mais vulneráveis.
As consequências costumam ser severas. Entre os efeitos mais comuns, ela destaca mudanças drásticas no comportamento, isolamento, agressividade, depressão, ansiedade e até tentativas de suicídio. O bullying também compromete o desempenho escolar e prejudica diretamente as relações sociais dessas crianças e adolescentes.
Por isso, especialistas reforçam que apenas a combinação entre regulação, responsabilização das plataformas e apoio familiar pode reduzir os danos causados pela exposição digital precoce e desprotegida.
FAQ sobre adolescentes e plataformas digitais
Qual é a relação do crime no Rio com plataformas digitais?
O crime foi articulado no Discord, onde usuários ofereceram dinheiro como recompensa para o ataque.
O que o Instituto Alana propõe para a segurança digital?
Defende responsabilização das big techs e adoção de medidas como verificação de idade e filtros de conteúdo.
O que é design manipulativo citado no texto?
São recursos usados por plataformas para manter usuários conectados, prejudicando a saúde mental.
O que prevê o PL nº 2628/2022?
Prevê verificação de idade obrigatória em redes sociais e sites adultos para proteger crianças e adolescentes.
Como o bullying afeta crianças e adolescentes?
Causa isolamento, depressão, queda no desempenho escolar e pode levar até ao suicídio.
Rogério Victorino
Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.
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