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Mata Atlântica: desmatamento cai, mas perigo às florestas maduras persiste
Uma notícia agridoce para quem se importa com o futuro do planeta: o desmatamento total na Mata Atlântica, segundo a Agência Brasil, mostrou uma queda de 14% em 2024. No entanto, um olhar mais atento revela uma preocupação que não pode ser ignorada: a perda de florestas maduras, aquelas riquíssimas em biodiversidade e cruciais para o equilíbrio climático, teve uma redução de apenas 2%. É como comemorar um gol quando o time ainda precisa virar o jogo.
Os dados, divulgados nesta segunda-feira (12/5), vêm do Atlas da Mata Atlântica e do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) do bioma, um trabalho conjunto da renomada Fundação SOS Mata Atlântica e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). E o recado é claro: ainda estamos longe do ideal.
Por que a redução ainda não é suficiente?
Para a SOS Mata Atlântica, a diminuição registrada é um passo, mas um passo pequeno diante da meta ambiciosa e necessária: desmatamento zero. As perdas continuam em níveis alarmantes, especialmente em regiões que já sofrem historicamente com a devastação. O mais grave é o avanço sobre as matas maduras – ecossistemas complexos que levaram séculos para se formar e são insubstituíveis quando se trata de abrigar espécies e regular o clima.
Luís Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da fundação, não mede palavras: “O desmatamento ainda representa uma grande ameaça para o futuro do bioma”. E não é para menos. A Mata Atlântica é o lar de cerca de 70% da população brasileira e o motor de mais de 80% do nosso Produto Interno Bruto (PIB).
“No contexto das crises globais do clima e da biodiversidade, das tragédias ambientais e das recorrentes crises hídricas no Brasil, a degradação da Mata Atlântica amplia o risco de colapso dos serviços ecossistêmicos essenciais à nossa qualidade de vida, à segurança alimentar e à economia do país”, alerta Guedes Pinto. Ou seja, proteger a Mata Atlântica não é “apenas” sobre salvar árvores e animais, é sobre garantir nosso próprio futuro.
Olho vivo nas matas maduras
O Atlas da Mata Atlântica é minucioso. Ele acompanha fragmentos de floresta com mais de 3 hectares (o equivalente a cerca de três campos de futebol) em áreas de mata madura. E os números específicos para essas áreas são um sinal de alerta constante: a perda de vegetação nessas florestas mais antigas e valiosas passou de 14.697 hectares em 2023 para 14.366 hectares em 2024. Parece pouco, mas essa redução de apenas 2% no desmatamento de matas maduras mostra que o coração do bioma continua sangrando.
A luta pela preservação da Mata Atlântica é longa e exige atenção constante. Cada hectare de floresta madura perdida é um golpe difícil de reverter, com impactos que vão muito além da paisagem.
FAQ sobre queda no desmatamento na Mata Atlântica
1. O desmatamento aumentou ou diminuiu recentemente?
Houve uma redução de 14% na área total desmatada no bioma em 2024. Contudo, a destruição de florestas maduras, que são vitais, caiu apenas 2%, o que ainda é muito preocupante.
2. O que são florestas maduras e por que são tão importantes?
Florestas maduras são aquelas que estão em estágio avançado de desenvolvimento, com grande diversidade de espécies e um papel fundamental na absorção de carbono da atmosfera. Sua perda é praticamente insubstituível em termos de biodiversidade e serviços ambientais.
3. Quem monitora o desmatamento nessa região?
O monitoramento é realizado principalmente pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), através do Atlas da Mata Atlântica e do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) do bioma.
4. Qual o impacto do desmatamento para a população brasileira?
A Mata Atlântica abriga cerca de 70% da população do Brasil e sustenta mais de 80% do PIB nacional. Sua degradação ameaça serviços ecossistêmicos essenciais, como fornecimento de água, regulação climática, segurança alimentar e a economia.
5. Qual é a meta ideal em relação ao desmatamento?
A meta defendida por especialistas e organizações ambientais, como a SOS Mata Atlântica, é o desmatamento zero, para garantir a sobrevivência e a recuperação do bioma.
Rogério Victorino
Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.
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