Crise climática ameaça tradição milenar da cerâmica Waurá

Mudanças climáticas ameaçam a cerâmica Waurá, tradição ancestral do Xingu, ao reduzir insumos essenciais e impactar cultura e renda indígena.
Crise climática ameaça tradição milenar da cerâmica Waurá
Foto: Canva

Segundo a tradição do povo Waurá, a arte da cerâmica nasceu com a entidade Kamalu-hái, a cobra-canoa que trouxe argila às margens do rio. Desde então, as mulheres do povo transmitem, de geração em geração, o saber artesanal que molda potes, panelas e objetos usados no dia a dia e em rituais.

A cerâmica Waurá é feita com barro retirado do rio e misturado ao cauxi, uma esponja de água doce essencial para evitar rachaduras. Depois de moldadas, as peças passam por raspagens, polimento, queima em madeira específica e recebem pinturas tradicionais com pigmentos naturais. Esse processo conecta passado e presente, preservando a identidade cultural do povo.

A ameaça das mudanças climáticas

Nos últimos anos, o ciclo irregular das chuvas reduziu a disponibilidade de cauxi. Sem ele, o barro perde a liga necessária, dessa maneira, comprometendo a produção. Para Yakuwipu Waurá, liderança e ceramista, em reportagem da Agência Brasil, a alteração no ciclo dos rios ameaça não apenas as panelinhas artesanais, mas também a autonomia econômica das mulheres e a transmissão do saber ancestral.

Além da cerâmica, as mudanças climáticas afetam a produção agrícola indígena. Em 2023, o plantio de mandioca, milho e banana foi prejudicado. Essa situação ameaça a segurança alimentar e reforça o alerta dos povos indígenas sobre a urgência de medidas de adaptação e respeito à floresta.

Vozes indígenas na COP 30

A liderança Yakuwipu defende que os povos indígenas sejam ouvidos nos debates da COP 30, marcada para novembro em Belém. Ela ressalta que projetos de infraestrutura, como hidrelétricas, já provocaram impactos graves no Xingu. Para o Instituto Socioambiental, consultas livres e informadas são fundamentais para evitar novos desastres e garantir equilíbrio ambiental.

Por fim, a crise climática coloca em risco mais que objetos artesanais. Cada peça Waurá carrega histórias, memórias e símbolos de identidade. A escassez de insumos ameaça o futuro de um conhecimento milenar, mas também reforça a necessidade global de ouvir os povos indígenas e proteger a natureza.

FAQ sobre a crise climática e a cerâmica Waurá

Qual a origem da cerâmica Waurá?
A tradição conta que a entidade Kamalu-hái, a cobra-canoa, trouxe a argila às margens do rio e ensinou o povo a produzir cerâmica.

Como as cerâmicas são produzidas?
As peças são moldadas com barro e cauxi, secas ao sol, lixadas, polidas, queimadas ao ar livre e pintadas com pigmentos naturais.

Por que as mudanças climáticas ameaçam essa tradição?
A irregularidade das chuvas reduziu a reprodução do cauxi, essencial para a liga do barro, comprometendo, assim, a produção artesanal.

Além da cerâmica, o que mais foi afetado?
As mudanças climáticas também dificultaram o cultivo de mandioca, milho e banana, dessa forma, impactando a segurança alimentar indígena.

O que o povo Waurá espera da COP 30?
As lideranças pedem que autoridades ouçam os povos indígenas, respeitem a floresta e considerem consultas livres e informadas.

Rogério Victorino

Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.

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