Desastre de Mariana completa 10 anos e moradores ainda buscam justiça

Uma década após o rompimento da barragem em Mariana, vítimas ainda lutam por justiça, moradia definitiva e responsabilização dos envolvidos.
Desastre de Mariana completa 10 anos e moradores ainda buscam justiça
Foto: Agência Brasil / Antonio Cruz

O rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG), completou dez anos em 2025. Mesmo após uma década, a dor segue presente na vida de quem perdeu tudo em poucos minutos. A tragédia matou 19 pessoas, destruiu comunidades inteiras e mudou para sempre a história do país. A informação foi publicada originalmente pela Agência Brasil.

Uma década de dor e resistência

Auxiliar em um consultório odontológico, Mônica Santos deixou sua casa em Bento Rodrigues logo cedo, no dia 5 de novembro de 2015. Quando voltou, mais de 24 horas depois, encontrou apenas escombros cobertos de lama. Ela tinha 30 anos na época e ainda vive as consequências daquele dia. Embora o tempo avance, afirma que tudo continua nítido na memória, como se tivesse acontecido ontem. Atualmente, está desempregada.

O desastre liberou cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, alcançando comunidades como Paracatu de Baixo, Paracatu de Cima, Pedras, Águas Claras e Campinas. Mais de 600 moradores perderam suas casas e viram vínculos históricos serem arrancados em segundos.

Um lar que ainda não chegou

Mônica vive hoje no reassentamento Novo Bento Rodrigues, localizado a cerca de 13 quilômetros da antiga comunidade. Porém, ela relata que a entrega das casas permanece incompleta. Ainda existem famílias sem moradia definitiva e outras com projetos atrasados. Para ela, falta respeito com quem teve a vida interrompida em 2015.

Além disso, o imóvel onde mora não está regularizado no nome dos moradores, o que reforça a sensação de incerteza. Mônica perdeu cinco amigos próximos no desastre e carrega a responsabilidade de fortalecer a luta por direitos. Enquanto tiver forças, diz que continuará cobrando indenizações e reparação total.

Risco ainda presente no Brasil

A tragédia, segundo especialistas, expôs falhas profundas no modelo de exploração mineral do país. Para Márcio Zonta, integrante do Movimento pela Soberania Popular na Mineração, o rompimento da barragem reflete um sistema em que decisões econômicas ignoram as populações atingidas. Ele considera que projetos minerários seguem lógica antidemocrática e coloca em alerta o futuro das comunidades em áreas de risco.

O Brasil possui 916 barragens, das quais 74 apresentam risco maior de colapso e 91 permanecem em situação de alerta. Minas Gerais concentra 31 dessas estruturas. Para Zonta, Mariana e Brumadinho simbolizam o colapso do sistema de mineração em operação no país.

O que dizem as empresas

Em nota, a Samarco informou que direcionou R$ 68,4 bilhões desde 2015 para reparação e compensação. Segundo a empresa, esse valor inclui R$ 32,1 bilhões pagos em 735 mil acordos individuais. A companhia afirma que os investimentos transformaram a realidade econômica da bacia do Rio Doce, com estímulo ao comércio e geração de empregos.

A Samarco também contesta o uso do termo “desabrigados”. Alega que as famílias sempre tiveram moradia garantida, inicialmente em hotéis e, depois, em casas alugadas. Acrescenta que apenas seis obras seguem em execução no reassentamento e que os futuros moradores continuam com auxílio habitacional até a mudança definitiva.

Esperança por justiça

Para quem perdeu tudo, porém, a reparação não se resume a números. Mônica acredita que somente a responsabilização efetiva evitará novas tragédias. Ela aponta que, se houvesse punição no caso de Mariana, o rompimento em Brumadinho poderia ter sido evitado. Mesmo assim, mantém a esperança de ver todos os conterrâneos reassentados com dignidade e segurança.

FAQ sobre o desastre de Mariana

O que aconteceu na barragem do Fundão em 2015?
Em 5 de novembro de 2015, a barragem do Fundão, da Samarco, se rompeu e liberou milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração. A lama destruiu comunidades, causou 19 mortes e atingiu o Rio Doce, gerando danos ambientais em larga escala.

Quantas pessoas ainda aguardam reparação total?
Ainda existem moradores sem moradia definitiva ou aguardando regularização das casas entregues. As vítimas seguem cobrando indenizações justas e garantias de segurança.

O reassentamento de Bento Rodrigues está concluído?
Não totalmente. Embora parte das famílias já tenha sido reassentada, ainda há casas em construção e projetos pendentes, segundo lideranças da comunidade.

Existem riscos de novos rompimentos no Brasil?
Sim. Dados oficiais apontam dezenas de barragens em risco elevado ou alerta. Especialistas afirmam que o modelo atual de mineração ainda expõe comunidades vulneráveis.

O que as famílias reivindicam após 10 anos?
Elas buscam justiça, responsabilização efetiva e reparação integral, incluindo moradia regularizada, suporte financeiro adequado e políticas que impeçam que tragédias semelhantes se repitam.

Rogério Victorino

Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.

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