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Violência doméstica atinge mais de 71 mil mulheres no Rio e expõe falha estrutural
Mais de 71 mil mulheres sofreram violência doméstica no estado do Rio de Janeiro entre janeiro e novembro de 2025. O número, por si só, já seria alarmante. No entanto, o dado ganha contornos ainda mais críticos quando se observa um padrão recorrente: o aumento dos casos justamente no período em que o ano se encerra, quando festas, tensões familiares e ausência de políticas preventivas se encontram.
Segundo levantamento do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, foram registrados 71.762 novos processos no período. As estatísticas de anos anteriores indicam que dezembro costuma intensificar esse cenário. Diante disso, o Judiciário reforçou estruturas de acolhimento e atendimento para manter serviços essenciais durante o recesso.
Quando o calendário agrava a violência
O fim do ano, tradicionalmente associado a celebrações, também amplia convivências forçadas, dependência econômica e conflitos domésticos. Nesse contexto, a violência contra a mulher deixa de ser um evento isolado e revela um padrão previsível. Ainda assim, a sociedade insiste em tratá-la como exceção.
O próprio Judiciário reconhece essa tendência sazonal. Por isso, manteve equipes em regime de plantão para garantir respostas rápidas às situações mais graves. A medida, embora necessária, evidencia um paradoxo: o sistema se prepara para o pico, mas não consegue interromper o ciclo.
O que fazer diante da agressão
Em situações de emergência, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190. A Central de Atendimento à Mulher, no número 180, também funciona 24 horas por dia. Além disso, a vítima pode registrar ocorrência nas Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher ou pela Polícia Civil, pelo telefone 197 ou por meio digital.
O Observatório de Violência contra a Mulher do Judiciário fluminense reforça que a medida protetiva deve ser solicitada sempre que houver agressão física, ameaça, violência sexual, retenção de bens ou qualquer forma de coerção. Ou seja, a violência não precisa deixar marcas visíveis para ser reconhecida.
Atendimento durante o recesso judicial
Para a desembargadora Adriana Ramos de Mello, coordenadora estadual da mulher em situação de violência doméstica e familiar, o funcionamento do TJRJ durante o recesso reforça que o enfrentamento da violência não admite pausas.
Segundo ela, toda mulher tem direito a atendimento imediato e humanizado. A magistrada destaca que a violência doméstica não se restringe ao âmbito privado, pois envolve direitos humanos e responsabilidade coletiva. Mesmo com equipes reduzidas, os serviços de acolhimento seguem ativos para garantir respostas urgentes.
Ferramentas de proteção disponíveis
Entre as iniciativas mantidas pelo Tribunal de Justiça estão soluções digitais e estruturas de acolhimento direto. O aplicativo Maria da Penha Virtual permite solicitar medidas protetivas de urgência pelo celular, sem a necessidade de deslocamento até uma delegacia.
Além disso, a Central Judiciária de Abrigamento Provisório oferece acolhimento imediato e, quando necessário, encaminhamento para abrigos sigilosos. Já o Projeto Violeta atua na proteção de mulheres que enfrentam risco iminente à integridade física ou à vida.
No conjunto, essas ações oferecem respostas emergenciais. No entanto, os números deixam claro que o problema ultrapassa a esfera do atendimento. Ele exige prevenção contínua, políticas estruturais e uma revisão profunda da forma como a sociedade lida com a violência cotidiana. Reportagem da Agência Brasil.
FAQ sobre violência doméstica no Rio de Janeiro
Por que os casos de violência doméstica aumentam no fim do ano?
O aumento costuma ocorrer devido à intensificação da convivência familiar, maior consumo de álcool, estresse financeiro e dependência econômica, fatores que agravam conflitos já existentes.
Quais canais funcionam 24 horas para denunciar violência doméstica?
A vítima pode ligar para o 190 em situações de emergência ou para o 180, da Central de Atendimento à Mulher, que orienta, acolhe e encaminha para a rede de proteção.
Quando a medida protetiva deve ser solicitada?
A medida deve ser solicitada em casos de agressão física, ameaça, violência sexual, retenção de documentos ou bens e qualquer conduta que coloque a mulher em situação de risco.
É possível pedir ajuda sem ir a uma delegacia?
Sim. O aplicativo Maria da Penha Virtual permite solicitar medidas protetivas de forma online, com segurança e rapidez, diretamente pelo celular.
As estruturas de proteção funcionam durante o recesso judicial?
Sim. O Tribunal de Justiça do Rio mantém serviços essenciais em regime de plantão, garantindo acolhimento, análise de pedidos urgentes e proteção às vítimas.
Rogério Victorino
Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.
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