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Ministério da Justiça revela queda nacional de mortes violentas
O Brasil encerra o ciclo de 2025 com uma estatística que desafia interpretações simplistas: a quinta queda consecutiva nos índices nacionais de assassinatos. Os dados consolidados pelo Ministério da Justiça revelam que o país registrou 34.086 mortes violentas, um recuo significativo frente aos 38.374 casos do ano anterior.
No entanto, por trás da taxa nacional de 16 mortes por 100 mil habitantes, esconde-se uma geografia da violência profundamente desigual. Enquanto estados como São Paulo e Santa Catarina ostentam índices de segurança comparáveis a nações desenvolvidas, o Nordeste permanece refém de uma dinâmica de guerra entre facções que impede o país de pacificar seus territórios mais vulneráveis.
A geografia do abismo estatístico
A disparidade entre as unidades federativas desenha um mapa de dois Brasis. Na base da pirâmide, São Paulo (5,4) e Santa Catarina (6,4) consolidam-se como os estados mais seguros, mantendo taxas muito abaixo da média nacional. No extremo oposto, Ceará (32,6), Pernambuco (31,6) e Alagoas (29,4) lideram o ranking da letalidade, evidenciando que a redução nacional de 10,4% não ocorre de forma uniforme.
Essa variação indica que as políticas de segurança pública enfrentam gargalos regionais onde o Estado ainda não conseguiu desarticular as estruturas que alimentam homicídios dolosos, feminicídios e latrocínios.
O fator facção e a queda seletiva
A explicação para as reduções mais drásticas, como os 33% registrados no Amazonas, revela uma face incômoda da segurança pública brasileira. Especialistas apontam que a hegemonia do Comando Vermelho no estado pode ter estabilizado os conflitos territoriais, gerando, assim, uma queda nos índices que não necessariamente reflete o fortalecimento das instituições estatais, mas sim um controle criminoso unificado.
O mesmo fenômeno de recuo acentuado é observado no Mato Grosso do Sul (-28%) e no Rio Grande do Sul (-24%), sugerindo que a dinâmica das organizações criminosas é, hoje, o principal vetor de oscilação das taxas de mortalidade no país.
As exceções que desafiam a tendência
Cinco estados e o Distrito Federal nadam contra a corrente nacional e registraram aumento na violência letal entre 2024 e 2025. O Tocantins apresentou a alta mais expressiva, com 17%, seguido pelo Rio Grande do Norte (14%). Mesmo o Distrito Federal, com sua estrutura de segurança diferenciada, viu os índices subirem 5%.
Esses números acendem um alerta sobre a migração das rotas de criminalidade e a instabilidade em regiões que antes eram consideradas periféricas ao grande eixo do crime organizado. O Rio de Janeiro, entretanto, com uma alta de 2%, permanece como o símbolo de uma crise de segurança crônica que resiste a soluções convencionais.
O desafio da subnotificação e os prazos federais
A precisão absoluta dos dados de 2025, contudo, ainda depende da atualização total do sistema do governo federal. Até o momento, os números de dezembro de São Paulo e da Paraíba não foram processados, o que pode adicionar cerca de 300 casos ao balanço final. Embora essa margem não altere a trajetória de queda anual, ela expõe a fragilidade na integração de dados entre as secretarias estaduais e o Ministério da Justiça.
A segurança pública brasileira, portanto, é gerida sob um nevoeiro estatístico que, embora aponte para uma melhora, ainda mascara a realidade cotidiana de estados onde a taxa de 30 mortes por 100 mil habitantes é a norma, e não a exceção.
FAQ sobre as taxas de assassinatos no Brasil
Quais crimes compõem o índice de mortes violentas do Ministério da Justiça?
O índice agrega homicídios dolosos (quando há intenção de matar), feminicídios, latrocínios (roubo seguido de morte) e lesões corporais seguidas de morte. Os dados são fornecidos pelas secretarias de segurança de cada estado.
Por que o Amazonas teve a maior queda no número de mortos?
Pesquisadores indicam que a redução de 33% no Amazonas está atrelada ao controle territorial estabelecido por uma facção dominante, o Comando Vermelho, o que reduz os confrontos diretos por pontos de venda e rotas de tráfico.
Qual é o estado com a menor taxa de violência do Brasil em 2025?
São Paulo registra a menor taxa nacional, com 5,4 mortes por 100 mil habitantes, seguido de perto por Santa Catarina com 6,4. Ambos os estados mantêm índices significativamente inferiores à média nacional de 16.
Quais estados registraram alta nos assassinatos em 2025?
Tocantins (17%), Rio Grande do Norte (14%), Roraima (9%), Acre (6%), Distrito Federal (5%) e Rio de Janeiro (2%) foram as unidades que contrariaram a tendência nacional de queda.
O que significa a taxa de 16 mortes por 100 mil habitantes?
Este é um indicador internacional de letalidade. Embora o Brasil tenha reduzido esse número pelo quinto ano seguido, o índice ainda é considerado alto quando comparado a padrões globais de segurança pública estável.
Rogério Victorino
Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.
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