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Do voto ao veto: como um regionalismo alimentou um separatismo
O Brasil de 2026 não vive apenas uma polarização política; ele enfrenta uma fragmentação geográfica de consciência. O que está escancarado, é que o antagonismo gerado nas eleições de 2022 não foi um evento isolado, mas o sintoma de uma ferida que une o conceito de regionalismo ao radicalismo da extrema-direita.
Quando o Nordeste, por exemplo, teve muita relevância nessas mesmas eleições, ele não apenas elegeu um presidente; ele feriu o orgulho de uma elite que se acredita a única dona da chave do cofre nacional.
O sudestecentrismo como combustível da extrema-direita
O ressurgimento da extrema-direita no Brasil encontrou terreno fértil no refionalismo como um todo. A figura do sudestino, por exemplo – aquele que enxerga o sotaque supostamente neutro e a eficiência econômica como superiores – serviu de base para a narrativa radical. Para esse grupo vivente no eixo Rio-São Paulo, a decisão do eleitor nordestino em 2022 não foi um exercício de cidadania, mas uma “invasão” na gestão de um país que eles consideram seu por direito de herança industrial. A extrema-direita capturou esse sentimento de superioridade regional, transformando o preconceito contra o Norte e o Nordeste em uma plataforma política de resistência.
A aliança entre o ressentimento e o separatismo sulista
Onde o sudestecentrismo planta a dúvida, o separatismo sulista colhe a revolta. O movimento “O Sul é o meu país” ressurgiu com força em 2026 como a face mais extrema desse isolacionismo. Ao pregarem a separação de Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, esses grupos não buscam apenas uma questionável independência fiscal; eles buscam um refúgio ideológico. É a tentativa de criar um enclave onde a visão de mundo da extrema-direita não seja contestada pelo voto de quem vive acima do Trópico de Capricórnio. Esse separatismo é o “xeque-mate” de quem perdeu o debate democrático no campo das ideias e agora quer levar a bola embora do jogo.
O Nordeste como o espelho da paranoia nacional
Claro, não falamos de toda a população desses estados. O ódio ao Nordeste é a prova de que o projeto de nação da extrema-direita é frágil. Se o sucesso de O Agente Secreto no Oscar 2026 incomoda tanto, por exemplo, é porque ele prova que a inteligência e a sofisticação cultural brasileira estão, hoje, mais presentes no Recife do que nos gabinetes de fakenews do eixo Sul-Sudeste. O Brasil de 2026 está aprendendo, a duras penas, que a unidade nacional é um exercício de tolerância que o sudestino médio e o separatista radical ainda não estão prontos para praticar.
No fim, a extrema-direita sobrevive desse “nós contra eles” geográfico. Ela precisa que o sulista se sinta injustiçado e que o sudestino se sinta menor. Enquanto não entendermos que o Brasil é uma soma e não uma divisão, continuaremos a assistir a essa ópera paranoica onde o mapa é rasgado para massagear egos políticos feridos.
FAQ sobre regionalismo, separatismo e extrema-direita
Como a extrema-direita utiliza o preconceito regional?
Ela utiliza a narrativa de que o Sul e o Sudeste “sustentam” o país, enquanto o Nordeste e o Norte “decidem” as eleições, criando um sentimento de injustiça que alimenta o engajamento radical e o ódio ao sistema federativo.
Qual a relação entre o termo sudestino e a polarização?
O termo descreve a centralidade do eixo Rio-SP. A polarização ocorre quando essa centralidade é questionada pelo protagonismo político e cultural de outras regiões, gerando uma reação defensiva e, por vezes, preconceituosa por parte de setores conservadores do Sudeste.
O separatismo sulista aumentou após 2022?
Sim, em termos de narrativa digital. O resultado das urnas, onde o Sul votou majoritariamente contra o governo eleito, deu novo fôlego a grupos que pregam a independência como forma de escapar da agenda política nacional.
O sucesso cultural do Nordeste (como no Oscar) ajuda a diminuir esse conflito?
Sim e não. Para a maioria, eleva o orgulho nacional; mas para a extrema-direita radical, é visto como “ocupação cultural” ou uso de verba pública para doutrinação, intensificando as críticas ao setor audiovisual.
O Brasil corre risco real de se fragmentar em 2026?
Institucionalmente, não. As Forças Armadas e a Constituição garantem a unidade. No entanto, a fragmentação social e o “apartheid” cultural entre as regiões são riscos reais que prejudicam a governabilidade e a coesão do país.
Rogério Victorino
Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.
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