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Anvisa alerta para risco de pancreatite associado às canetas emagrecedoras
A Anvisa emitiu ontem (9/2), um alerta de farmacovigilância sobre o risco de pancreatite associado ao uso indevido de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, popularmente chamados de canetas emagrecedoras. O aviso reforça que o uso deve seguir as indicações aprovadas em bula e ocorrer com prescrição e acompanhamento médico.
O grupo inclui a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida. Segundo a agência, o risco já aparece nas bulas, porém o volume de notificações aumentou no Brasil e também no exterior, o que motivou o reforço das orientações de segurança.
Em outras palavras, o problema não está na existência do medicamento. O problema está na fantasia coletiva de que ele funciona como atalho seguro para emagrecer, mesmo quando não existe necessidade clínica.
Por que a Anvisa reforçou o alerta agora
A Anvisa explicou que o aumento de notificações de eventos adversos exigiu o alerta, mesmo sem mudança na avaliação geral de risco e benefício dessas substâncias. Ou seja, a agência não afirmou que os medicamentos deixaram de ser eficazes ou que se tornaram inseguros dentro do uso correto.
Pelo contrário: a Anvisa afirmou que os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, desde que o uso siga as indicações aprovadas e as orientações descritas em bula.
O alerta, portanto, não tenta assustar. Ele tenta corrigir uma distorção: quando um remédio vira moda, a medicina perde espaço para o comportamento de manada.
O que é pancreatite e por que ela preocupa
A Anvisa destacou que o acompanhamento médico se justifica pelo risco de eventos adversos graves, incluindo pancreatite aguda. Segundo a agência, a pancreatite pode evoluir para formas necrotizantes e até fatais.
Além disso, a pancreatite costuma exigir atendimento rápido, porque o tempo pesa no prognóstico. Por isso, a agência reforçou sinais de alerta que não devem ser ignorados.
Números no Brasil: 145 notificações e seis suspeitas de óbito
Dados da própria Anvisa indicam que, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, o Brasil registrou 145 notificações de suspeitas de eventos adversos ligados a esses medicamentos. Além disso, a agência contabilizou seis suspeitas de casos com desfecho de óbito.
Esse tipo de dado não prova, por si só, causalidade direta em cada caso. Ainda assim, ele funciona como termômetro do problema, principalmente quando as notificações crescem e o uso fora de indicação se espalha.
Na prática, a Anvisa observou um padrão: quanto mais gente usa sem necessidade clínica, maior fica o risco de complicações e maior se torna a chance de atraso no diagnóstico.
Receita retida: o que mudou na venda desde 2025
Em junho de 2025, a Anvisa determinou que farmácias e drogarias passassem a reter a receita desses medicamentos. A partir dessa medida, a prescrição passou a exigir duas vias, e a venda só pode ocorrer com retenção da receita, no mesmo modelo aplicado a antibióticos.
Além disso, a validade da receita passou a ser de até 90 dias, contados a partir da data de emissão.
Segundo a agência, a decisão buscou proteger a saúde da população, já que a Anvisa identificou número elevado de eventos adversos relacionados ao uso fora das indicações aprovadas.
Essa medida também expõe uma contradição bem brasileira: o país consegue criar regra, mas ainda precisa convencer parte da população de que remédio não é suplemento e que moda não substitui diagnóstico.
Sintomas de alerta: quando procurar atendimento imediato
A Anvisa orientou que usuários procurem atendimento médico imediato ao perceberem dor abdominal intensa e persistente. A agência explicou que a dor pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos, sinais sugestivos de pancreatite.
Além disso, a agência recomendou que profissionais de saúde interrompam o tratamento ao suspeitar da reação e não retomem o uso caso o diagnóstico seja confirmado.
O recado é direto: quando o corpo dá sinais de emergência, não existe “esperar passar” nem “ver se melhora”.
Notificação no VigiMed: o papel do sistema de farmacovigilância
A Anvisa reforçou a importância da notificação de eventos adversos no VigiMed, sistema usado para monitorar reações relacionadas a medicamentos e vacinas.
Segundo a agência, essa notificação contribui para o acompanhamento contínuo da segurança dessas substâncias, que estão há pouco mais de cinco anos no mercado nacional.
Esse ponto costuma passar despercebido. No entanto, ele explica por que alertas surgem mesmo quando o medicamento já está aprovado: farmacovigilância continua depois da liberação, porque a vida real sempre testa a medicina em escala.
Outros alertas recentes envolvendo as canetas emagrecedoras
O alerta atual não surge do nada. Ao longo dos últimos anos, a Anvisa já havia emitido outros avisos relacionados a esses medicamentos. Em 2024, a agência alertou para riscos de aspiração durante procedimentos anestésicos. Já em 2025, a Anvisa citou uma perda de visão rara associada à semaglutida.
Agora, com o novo alerta sobre pancreatite, a mensagem fica ainda mais clara: o uso sem critério transforma um tratamento em aposta. Reportagem da Agência Brasil.
FAQ sobre o alerta da Anvisa e as canetas emagrecedoras
O que a Anvisa alertou sobre as canetas emagrecedoras?
A Anvisa emitiu um alerta de farmacovigilância sobre o risco de pancreatite aguda associado ao uso indevido de medicamentos agonistas do receptor GLP-1. A agência reforçou que o uso deve seguir a bula e ocorrer com prescrição e acompanhamento médico.
Quais medicamentos fazem parte do grupo citado pela Anvisa?
O alerta inclui a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida. Todos são agonistas do receptor GLP-1 e têm indicações específicas aprovadas em bula.
O alerta significa que esses medicamentos são proibidos ou ineficazes?
Não. A Anvisa afirmou que não houve mudança na relação risco-benefício das substâncias. Os benefícios terapêuticos ainda superam os riscos quando o uso segue as indicações e os modos de uso aprovados.
Quais sintomas podem indicar pancreatite em quem usa esses medicamentos?
A Anvisa recomenda procurar atendimento médico imediato em caso de dor abdominal intensa e persistente, especialmente quando ela irradia para as costas e vem acompanhada de náuseas e vômitos. Esses sinais podem sugerir pancreatite aguda.
O que mudou na venda das canetas emagrecedoras nas farmácias?
Desde junho de 2025, farmácias e drogarias devem reter a receita desses medicamentos. A prescrição passou a ser feita em duas vias, e a venda só ocorre com retenção da receita. A validade é de até 90 dias a partir da emissão.
Rogério Victorino
Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.
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