Alertas de desmatamento caem na Amazônia e no Cerrado, mas Pantanal acende sinal vermelho

Alertas do Inpe caem 35% na Amazônia e 6% no Cerrado entre 2025 e 2026, mas Pantanal sobe 45,5% no período.
Alertas de desmatamento caem na Amazônia e no Cerrado, mas Pantanal acende sinal vermelho
Foto: Canva

Os alertas de desmatamento caíram 35% na Amazônia Legal e 6% no Cerrado entre agosto de 2025 e janeiro deste ano, segundo dados do Inpe. O recuo reforça a meta do governo federal de zerar as perdas até 2030. No entanto, o Pantanal seguiu na direção oposta e registrou alta de 45,5% no mesmo período.

Os números vieram do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que emite alertas diários para apoiar a fiscalização ambiental. Portanto, os dados não medem a taxa anual consolidada, mas indicam tendência e pressão em tempo real.

O que os dados do Inpe mostram na Amazônia e no Cerrado

Na Amazônia Legal, os alertas somaram 1.324 km² entre agosto de 2025 e janeiro deste ano. No período anterior, o Deter registrou 2.050 km². Assim, a queda chegou a 35%.

No Cerrado, os alertas totalizaram 1.905 km², contra 2.025 km² no recorte anterior. Desse modo, o bioma apresentou uma redução de 6%.

Além disso, os indicadores de degradação florestal na Amazônia apontaram uma virada ainda mais expressiva: a área caiu de 44.555 km² para 2.923 km², o que representa 93% de redução.

Por que o Deter importa, mesmo sem medir a taxa anual

O Deter funciona como um sistema de alertas diários voltado ao apoio das ações de fiscalização ambiental. Ou seja, ele não substitui a medição consolidada do desmatamento anual.

Quem mede a taxa anual é o Prodes, também do Inpe, que consolida o dado de forma oficial ao fim do ciclo. Ainda assim, o Deter tem um papel estratégico: ele mostra onde o desmatamento começa e onde a fiscalização precisa chegar primeiro.

Prodes indica queda acumulada desde 2022

O Prodes também apontou redução. Na comparação entre 2022 e 2025, o desmatamento acumulou queda de 50% na Amazônia e de 32,3% no Cerrado.

Portanto, o recuo não aparece apenas como um “bom momento” em um recorte específico. Ele também surge como tendência nos dados consolidados do monitoramento anual.

Marina Silva diz que 2026 pode bater recorde de menor taxa

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, afirmou que o país pode chegar em 2026 à menor taxa de desmatamento da série histórica na Amazônia, caso os esforços continuem.

Além disso, Marina destacou que as políticas públicas baseadas em dados científicos sustentaram os resultados. Ela também argumentou que o desempenho ambiental não comprometeu o crescimento econômico.

Segundo a ministra, o agronegócio seguiu crescendo, o país abriu 500 novos mercados para a agricultura brasileira e o Brasil fechou o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, como sinal de que políticas públicas consistentes podem gerar resultados ambientais sem travar a economia.

Pantanal vai na contramão e registra alta nos alertas

O Pantanal apresentou crescimento de 45,5% nos alertas de desmatamento entre agosto de 2025 e janeiro deste ano. O Deter registrou aumento de 202 km² para 294 km².

Ao mesmo tempo, o dado recente convive com uma queda anterior: na comparação entre 2023 e 2024, o bioma teve redução de 65,2%.

Assim, o Pantanal funciona como o lembrete incômodo de que o país não enfrenta uma crise ambiental única, mas várias crises em paralelo, cada uma com sua dinâmica própria.

Fiscalização cresceu e virou peça central na queda dos alertas

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o fortalecimento das ações de controle aparece como um dos principais fatores por trás da redução dos alertas.

Na comparação com 2022, as ações de fiscalização do Ibama cresceram 59%. Além disso, as operações do ICMBio aumentaram 24%.

O número de áreas embargadas subiu 51% pelo Ibama e 44% pelo ICMBio. Ao mesmo tempo, as operações de fiscalização ambiental na Amazônia avançaram quase 148%, enquanto as ocorrências registradas passaram de 932 para 1.754.

Também houve alta nas apreensões: minérios cresceram 170% e madeira subiu 65%.

Em outras palavras, a queda no desmatamento não surgiu como milagre climático. Ela apareceu como consequência de presença do Estado, fiscalização, embargo e risco real para quem insiste em destruir.

Ciência e soberania: o recado do Ministério da Ciência e Tecnologia

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, ressaltou o papel do monitoramento científico. Segundo ela, a infraestrutura tecnológica garante precisão para subsidiar políticas públicas de forma assertiva.

Além disso, ela defendeu que não existe preservação sem investimento em conhecimento. Na visão da ministra, o Brasil mostra ao mundo que não apenas monitora seus biomas, como também utiliza a ciência como ferramenta de cuidado e soberania.

O que os números sugerem sobre a meta de 2030

O governo federal aposta na meta de zerar as perdas até 2030. Os dados do Deter e do Prodes sugerem que o país pode, sim, reduzir o ritmo de destruição quando combina monitoramento, fiscalização e política pública.

No entanto, a alta no Pantanal lembra que a meta não se cumpre com um bioma apenas. Ela exige consistência, orçamento, presença e continuidade. Afinal, a floresta não negocia com discurso. Ela responde ao que se faz, ou ao que se deixa de fazer. Reportagem da Agência Brasil.

FAQ sobre a queda dos alertas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado

O que significa “alerta de desmatamento” divulgado pelo Deter?
O alerta do Deter indica áreas com sinais recentes de desmatamento ou degradação detectados por satélite. Ele serve como instrumento de resposta rápida para orientar fiscalização, embargo e ações de controle em tempo quase real.

Qual a diferença entre Deter e Prodes, do Inpe?
O Deter emite alertas diários e ajuda a direcionar operações de fiscalização. Já o Prodes mede a taxa anual consolidada de desmatamento, que funciona como o indicador oficial do país para comparações históricas e metas climáticas.

Quanto os alertas caíram na Amazônia e no Cerrado no último período divulgado?
Na Amazônia Legal, os alertas somaram 1.324 km² entre agosto de 2025 e janeiro deste ano, queda de 35% em relação ao período anterior. No Cerrado, os alertas chegaram a 1.905 km², o que representa redução de 6%.

Por que o Pantanal apresentou aumento de alertas no mesmo período?
O Pantanal registrou alta de 45,5% nos alertas entre agosto de 2025 e janeiro deste ano, de 202 km² para 294 km². O dado indica que o bioma segue vulnerável e exige ações específicas, mesmo com quedas registradas em anos anteriores.

O que explica a queda dos alertas, segundo o governo?
O Ministério do Meio Ambiente aponta o fortalecimento da fiscalização como fator central. As ações do Ibama cresceram 59% em relação a 2022, enquanto operações do ICMBio subiram 24%. Também houve aumento de embargos, apreensões e operações na Amazônia.

Rogério Victorino

Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.

VER PERFIL

Aviso de conteúdo

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.

Deixe um comentário

Veja Também