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Brasil busca parceria com Índia para produzir remédios e vacinas e aposta em cooperação no Sul Global
O governo brasileiro manifestou, nesta quarta-feira (18/2), a intenção de firmar uma cooperação com a Índia para produção de medicamentos e vacinas. A proposta envolve instituições públicas e empresas dos dois países e inclui, entre as prioridades, remédios oncológicos e medicamentos voltados ao combate de doenças tropicais.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, levou o tema a autoridades indianas durante a visita oficial a Nova Délhi, onde integra a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A viagem ocorre no contexto da participação do Brasil em uma cúpula sobre o impacto da inteligência artificial.
Na prática, o movimento sinaliza um recado claro: quando a saúde vira questão geopolítica, quem produz não depende. E quem depende, paga mais caro.
O que o Brasil propôs à Índia na área de medicamentos e vacinas
Segundo Padilha, o governo brasileiro apresentou uma proposta de parceria que reúne setor público e iniciativa privada de ambos os países. A cooperação prevê produção conjunta de medicamentos oncológicos e também de remédios voltados a doenças tropicais.
O foco em doenças tropicais não aparece por acaso. Enquanto parte do mundo concentra investimentos em terapias de alto valor comercial, regiões inteiras seguem lidando com enfermidades que raramente viram prioridade global. Por isso, quando dois países do Sul Global sentam à mesa, o tema ganha outro peso.
Dois sistemas públicos e uma oportunidade estratégica
Durante encontro com os ministros indianos Jagat Prakash Nadda, da Saúde e Bem-Estar da Família, e Prataprao Jadhav, de Medicina Tradicional, Padilha também defendeu a ampliação de ações e a troca de experiências sobre acesso gratuito aos serviços de saúde.
O ministro afirmou que Brasil e Índia possuem sistemas públicos robustos, forte capacidade científica e papel estratégico no Sul Global. Além disso, ele destacou que uma cooperação em saúde pode ampliar o acesso da população a medicamentos, fortalecer a produção local e impulsionar a inovação.
Em outras palavras, a ideia se apoia em um ponto que costuma ser ignorado no debate público: ciência e indústria farmacêutica não vivem apenas de laboratório. Elas vivem de escala, cadeia produtiva e autonomia.
Coalizão global e o plano para produção local
Padilha também convidou a Índia para integrar a Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo. O ministro defendeu que os dois países atuem na linha de frente de uma agenda internacional de saúde baseada em produção local, inovação e cooperação solidária.
A proposta mira um objetivo direto: reduzir a dependência de cadeias internacionais que, em momentos de crise, tendem a privilegiar quem tem mais dinheiro, mais influência e mais poder de compra.
O mundo já viu esse filme recentemente. E o final, como se sabe, não foi igual para todos.
Inteligência artificial entra na conversa sobre saúde pública
Além da produção de remédios e vacinas, Brasil e Índia também discutiram o uso de tecnologias digitais e inteligência artificial para organizar sistemas públicos de saúde.
Padilha afirmou que o intercâmbio em saúde digital pode contribuir para modernizar o SUS, ampliar o acesso e qualificar o cuidado prestado à população. A discussão ocorreu no mesmo contexto em que o Brasil participa, na Índia, de uma cúpula dedicada ao impacto da inteligência artificial.
Esse ponto indica uma mudança de tom. Afinal, saúde pública não depende apenas de médicos e hospitais. Ela também depende de gestão, dados, logística e capacidade de resposta. E, nesse terreno, o atraso custa vidas.
Biblioteca digital de medicina tradicional: proposta mira evidências e protocolos
Outra proposta apresentada envolve a implementação de uma biblioteca digital de medicina tradicional. A ideia prevê reunir evidências científicas, protocolos, estudos clínicos, registros históricos e boas práticas sobre práticas integrativas e complementares em saúde.
O projeto dialoga com uma realidade inevitável: milhões de pessoas já utilizam práticas tradicionais em seu cotidiano. Portanto, quando um governo propõe organizar esse conhecimento com base em documentação e evidências, ele tenta reduzir o espaço da desinformação e ampliar o espaço do cuidado seguro.
Ao mesmo tempo, a iniciativa também exige atenção, porque o selo “tradicional” não transforma automaticamente qualquer prática em algo eficaz. Ainda assim, a proposta sugere um caminho mais racional do que simplesmente ignorar o tema. Por fim, em tempos quando pais questionam uma vacina contra sarampo ou poliomielite, será que a parceria será vista com bons olhos? Reportagem da Agência Brasil.
FAQ sobre a parceria do Brasil com a Índia para remédios e vacinas
O que o Brasil quer produzir em parceria com a Índia?
O governo brasileiro pretende cooperar com a Índia para produzir medicamentos e vacinas. A proposta inclui remédios oncológicos e também medicamentos voltados ao combate de doenças tropicais, envolvendo instituições públicas e empresas dos dois países.
Quem apresentou a proposta de cooperação em saúde?
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou a intenção de cooperação durante a visita oficial a Nova Délhi. Ele integra a comitiva do presidente Lula, que está na Índia para participar de uma cúpula sobre o impacto da inteligência artificial.
Por que a parceria com a Índia é estratégica para o Brasil?
Segundo o ministro, Brasil e Índia possuem sistemas públicos robustos, capacidade científica e relevância no Sul Global. Uma cooperação pode fortalecer a produção local, ampliar o acesso a medicamentos e impulsionar a inovação, reduzindo dependências externas.
O que é a Coalizão Global para Produção Local e Regional?
Trata-se de uma iniciativa citada por Padilha como parte de uma agenda internacional baseada em produção local, inovação e acesso equitativo. O ministro convidou a Índia para integrar essa coalizão, com o objetivo de fortalecer cooperação solidária em saúde.
Além de remédios e vacinas, que outros temas Brasil e Índia discutiram?
As autoridades também discutiram saúde digital e inteligência artificial para organizar sistemas públicos, com foco em modernizar o SUS, ampliar o acesso e qualificar o cuidado. Além disso, surgiu a proposta de criar uma biblioteca digital de medicina tradicional com evidências, protocolos e estudos.
Rogério Victorino
Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.
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