Desastres climáticos atingiram 336 mil pessoas no Brasil em 2025

Desastres climáticos afetaram 336 mil pessoas no Brasil em 2025, geraram R$ 3,9 bilhões em prejuízos e expuseram 2.095 cidades.
Desastres climáticos atingiram 336 mil pessoas no Brasil em 2025
Foto: Canva

O avanço do aquecimento global intensificou extremos climáticos no Brasil em 2025, afetou mais de 336 mil pessoas e provocou prejuízos estimados em R$ 3,9 bilhões.

O planeta registrou em 2025 o terceiro ano mais quente da história, com temperatura média global 1,47°C acima dos níveis pré-industriais (1850–1900). No Brasil, esse cenário se traduziu em secas prolongadas, enchentes, deslizamentos e ondas de calor sucessivas.

Os dados constam do relatório Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil, elaborado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). O documento reúne informações de sistemas internacionais de monitoramento, como o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia.

Aquecimento global e impactos diretos

Em 2025, a temperatura média global alcançou 14,97°C, ficando apenas 0,01°C abaixo de 2023 e 0,13°C abaixo de 2024, o ano mais quente já registrado. Além disso, níveis recordes de vapor d’água na atmosfera ampliaram a intensidade de eventos extremos.

Segundo o relatório, ondas de calor, secas severas, incêndios florestais e chuvas intensas geraram impactos socioeconômicos relevantes. Portanto, o aquecimento global deixou de representar projeção futura e passou a produzir efeitos mensuráveis no território brasileiro.

Eventos hidrológicos e vulnerabilidade territorial

O Brasil registrou 1.493 eventos hidrológicos em 2025. Desse total, 1.336 foram classificados como de pequeno porte, 146 de médio porte e 11 de grande magnitude. As ocorrências envolveram inundações, enxurradas, transbordamentos de rios e deslizamentos de terra.

A região Sudeste concentrou 43% dos registros. Além disso, oito unidades federativas enfrentaram seca em 100% do território em novembro: Ceará, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, São Paulo e Tocantins.

O documento também aponta que 2.095 dos 5.570 municípios brasileiros apresentam exposição a riscos geo-hidrológicos. Minas Gerais lidera em número absoluto de cidades vulneráveis: 306 dos 853 municípios mineiros enfrentam risco elevado de deslizamentos, enxurradas e inundações, colocando cerca de 1,5 milhão de pessoas em situação de ameaça potencial.

Tendência de intensificação dos extremos

Entre o início da década de 1990 e os primeiros anos de 2020, o número de desastres climáticos no país aumentou 222%. Esse crescimento revela tendência estrutural, e não variação pontual.

Além disso, o Cemaden projeta ondas de calor mais frequentes e intensas nos próximos anos. Ao mesmo tempo, o país deverá registrar menos ondas de frio, embora algumas possam ocorrer com alta severidade.

Para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o cenário reforça a necessidade de investimentos contínuos em monitoramento climático, ciência aplicada e integração entre pesquisa e gestão pública. Assim, a capacidade de antecipar riscos torna-se elemento central para reduzir perdas humanas e econômicas.

O balanço de 2025 evidencia que o custo da inação supera o investimento preventivo. Portanto, enfrentar o desafio climático exige planejamento estrutural, coordenação federativa e fortalecimento científico permanente. Reportagem da Agência Brasil.

FAQ sobre desastres climáticos no Brasil em 2025

1. Por que 2025 foi considerado um dos anos mais quentes da história?
Porque a temperatura média global ficou 1,47°C acima dos níveis pré-industriais, mantendo tendência de aquecimento acelerado associada ao aumento das emissões de gases de efeito estufa.

2. Quais tipos de desastres mais ocorreram no Brasil?
Predominaram eventos hidrológicos, como inundações, enxurradas e deslizamentos. Além disso, secas severas e ondas de calor impactaram diversas regiões do país.

3. Por que o Sudeste concentrou maior número de ocorrências?
A região combina alta densidade populacional, urbanização intensa e vulnerabilidades territoriais, fatores que ampliam registro e impacto de eventos extremos.

4. O aumento de 222% nos desastres indica agravamento estrutural?
Sim. O crescimento expressivo desde os anos 1990 demonstra intensificação consistente dos extremos climáticos, associada ao aquecimento global e à ocupação inadequada do solo.

5. Como o país pode reduzir riscos e prejuízos?
O Brasil pode fortalecer monitoramento climático, investir em ciência e tecnologia, aprimorar planejamento urbano e implementar políticas preventivas integradas entre União, estados e municípios.

Rogério Victorino

Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.

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