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Ter e ser: uma crônica sobre aqueles que não têm e querem ter ou ser
Seguindo a linha do Não Importa (reforço o convite, aliás!), vamos a mais um papo terapêutico para fazer os seus neurônios trabalharem: ter e ser.
Parece até aquela máxima popular adotada por muitos, “eu não sou técnico, eu estou técnico”.
Porém, muito mais do que uma brincadeira com verbos, ter e ser é uma daquelas linhas de pensamentos populares adotadas pela psicologia das redes sociais.
Na minha época era a tal psicologia de almanaque. Regras meio que cagadas por um ou outro iniciados no assunto, que doavam conselhos nas rodas de conversa, bebericando álcool. Minha avó Norma já dizia: se conselho fosse bom, ninguém dava de graça.
Contudo, essa onde de “ter e ser” até que é interessante. Nada revolucionário, convenhamos, mas importante de ser lembrado.
Ser é o que há
O que se diz nesses dias é que vale mais a pena ser do que ter. Um nítido conselho àqueles que correm somente atrás dos anéis e se esquecem dos dedos. Também poderia ser visto como um despeito daqueles que não têm e querem ter. E ficam valorizando a posse da bola com essa espiritualidade toda de “ser é o que há”.
A ideia toda é demais profunda para ficar apenas ganhando joinha nas redes. Ocupou páginas e páginas de tratados filosóficos muito tempo antes do Lair Ribeiro vender livros pra caramba! Porém, enxergar não é ver, ouvir não é escutar e ler não é entender.
Para não aborrecer mais ninguém com indicações de literatura obrigatória para a próxima aula, vamos nos deter nessa ideia poderosa que atravessou gerações.
Se ter se relaciona à posse de matéria (seja terra, ouro, bitcoins, etc.), isso é mais antigo que andar pra frente, concordam? É a busca eterna apresentada pelo capitalismo e derivados.
Particularmente, em um país de maioria católica, todo mundo sabe que ter não é visto com bons olhos pela Santa Mãe Igreja. Comandada por um dos países mais ricos do mundo. O bacana é ser. Ser fraterno, ser penitente, ser respeitador, ser fiel aos mandamentos… A lista é grande.
Conhece-te a ti mesmo
Esse ser está um pouquinho subaproveitado, convenhamos. Acho que o ser em questão está mais para o “conhece-te a ti mesmo”. Um valor de plenitude do sujeito, algo do tipo, “arrume sua casa antes de sair pra rua”. Se você está inteiro consigo mesmo, terá mais condições de manejar as diferenças que a vida trará. Psicologia be-a-bá.
É curioso que em pleno século XXI tenha muita gente descobrindo que a Terra é redonda. Em alguns casos, literalmente. Não valorizar a matéria deve causar arrepios na espinha dos Faria Limers: “Como assim? E o que eu faço com minha Porsche agora!?”.
Pois é, sempre foi sobre o tamanho do carro e de outras cositas más. Sempre foi essa divisão, cada um idolatrando a linha optada. Nada mais natural que nesse mundão polarizado sem porteira, nada mudasse. Em tempos de reciclagem de ideias, contudo, basta renomear ou to rebrand o produto (crédito aos Limers, please) que está valendo. Poucos têm memória e uns menos ainda prestam atenção. Mas a maioria esmagadora vai achar duca essa coisa de “ser e ter”, emendando a pergunta: “É neoliberalismo isso? Ou neuro qualquer coisa?”.
É numa dessas de rebranding ideias que surgiu aquela galera da Terra plana, lembram? Trocentos séculos depois de provarem que a Terra é redonda…
Ser e ter sempre foi e aparentemente sempre será. Portanto, que tal pensar sobre essa nova e revolucionária ideia?
Rogério Victorino
Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.
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