Ebó: o que é e para que serve?

Entenda o significado e importância do Ebó na tradição iorubá. Descubra como essa oferenda sagrada traz equilíbrio e transformação de vida.
Ebó: o que é e para que serve?
Foto: Canva

A palavra Ebó, na língua iorubá (Yorubá), significa sacrifício. Ou seja, podemos definir como uma oferenda, já que sacrifício pode ser entendido como um trabalho sagrado.

A função mais simples de um ebó é trazer o equilíbrio. Através do sacrifício se obtém o equilíbrio necessário das energias internas e externas. No entanto, cabe aqui a explicação de que o equilíbrio sem a mudança de comportamento não resulta em melhoras. A melhora, além do equilíbrio energético se faz na transformação da conduta, do agir.

Toda essa transformação segue um fundamento central das religiões de matriz africana, a ética, ou Ìwà Pèlé.

Por onde começar?

As religiões de matriz africana são forças ancestrais, com fundamentos bem definidos e que se baseiam nas revelações do oraculo. Os búzios, que são os instrumentos usados para essa consulta, entregues aos filhos de santo que completam 7 anos de iniciados e fazem sua obrigação com o tempo determinado.

O ebó só pode ser feito após a consulta dos búzios.  São eles, na sua força oracular, que mostram ao babalorixá ou Iyalorixá (pai e mãe de santo, respectivamente) a necessidade do consulente e define quais elementos que se deve utilizar.

São com esses elementos que se inicia o sacrifício. Pode variar de uma necessidade para outra, com o uso de água, gin e obí (fruto presente na maioria dos rituais de matriz africana, também conhecida como noz-de-cola) nos mais simples, até o uso de grãos, ovos e animais em casos maiores.

Existem preparos, banhos e rezas para a realização de um ebó. Não se faz um trabalho dessa magnitude de forma leviana e sem o preparo necessário. Ele sendo bem feito, seguindo os ritos, é de grande valia. E sendo realizado por quem de direito, pela pessoa que seguiu todos os processos para chegar como um zelador de terreiro, como um pai ou mãe de santo.

Existe um ìtan (história, conto) de Órúnmìlà (orixá da sabedoria) que fala: “Ebó é superior a magia”. Com essa frase podemos entender que um ebó é uma certeza, uma correção de problemas.

Eu devo fazer?

O que a fé te diz? Um evangélico, que crê em Jesus, seu único salvador, terá ele uma resposta positiva de um ebó? Que chances de algo que você não acredita ter algum efeito prático na sua energia, na sua conduta (iwa)? O orixá, por maior que seja, por mais poder que tenha, ele pode fazer algo por aquele que não acredita na sua força? Existe alguma coisa que faça seu coração abrir para receber as energias se você não estiver disposto?

A pessoa que chega em uma casa (ilê) de candomblé procurando uma resposta, uma saída para seus problemas vai estar chegando ali com fé. Fé para realizar o sacrifício necessário para alcançar seus objetivos. Ele vai se curar, vai abrir caminhos para empregos. Este humilde escriba sabe bem o que é a força de um ebó bem feito e os resultados que ele proporciona.

Enfim, para corrigir seus problemas, ao pisar em um terreiro, você precisa realmente mudar a sua conduta, como dito antes. Um ebó tirado no seu corpo, cuidando do seu orí (cabeça, mente) vai te levantar, mas você precisa ter força e vontade para continuar em pé.

Para que serve?

Principalmente para cuidar do seu Orí (aqui eu vou coloca-lo com letra maiúscula para classifica-lo como um ser, algo vivo). O Orí, nesse caso, é o seu orixá pessoal, sua força mental e ancestral, que é preciso comer, beber e ser cuidado.  Recebe o status de divindade pois sem um Orí forte, você não será forte.

O Babá Sidnei Barreto, sacerdote e doutor em semiótica pela USP afirma:

“O Orí vencedor vencerá. Inevitavelmente vencerá! Porque é da sua natureza vencer.”

É de suma importância o entendimento de que um Orí bem cuidado reflete em equilíbrio, mudança de comportamento. Quando se faz um ebó você atrai prosperidade, limpa e descarrega o corpo das energias ruins, ajuda na saúde e abre seus caminhos. É cuidar de si para si. Te transforma como pessoa e te movimenta.

O ebó é tratamento tanto espiritual quanto mental. Mas, de novo, não é uma milagre. Ele é a fonte de sabedoria para a mudança do seu comportamento, o alimento para uma mente (orí) ser saudável e atrair as coisas boas para o seu caminho.

Ton Rodrigues

Estudante de jornalismo, pai de 3 crianças e pintor amador nas horas vagas. Leitor voraz e apaixonado pela música, mas nunca correspondido. Nascido em terreiro de Umbanda, estudioso do Candomblé.

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3 comentários para “Ebó: o que é e para que serve?

  1. Mayara Mosbio disse:

    Oi Ton, gosto muito dos seus textos, são informativos e quando se fala sobre as religiões de matriz africana você mostra bastante conhecimento. Eu pessoalmente não conheço nada sobre essas religiões e você traz um esclarecimento sobre isso. Nunca é tarde para aprender e conhecer sobre as coisas da vida. ????

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