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Dignidade e apartheid social: provas de espiritualidade?
Ao pesquisar na história uma evidencia do desenvolvimento da espiritualidade, em relação à coletividade, fica perceptiva sua existência e evolução em meio aos povos. O sentido de pertença aliado ao desejo de superação guiaram grupos, em todos os continentes e de diversas etnias, para uma mesma questão filosófica, ou direção: qual o sentido da vida?
Esta pergunta, que antecede a própria escrita caminha lado a lado da evidencia arqueológica do senso de espiritualidade e do transcendente do gênero humano, muito bem ilustrado por Yuval Harari em seu livro “Sapiens”, e negar esse aspecto é renegar a própria humanidade. A Declaração dos Direitos Humanos reflete da mesma forma este caráter inerente e fundamental da espécie, bem como a liberdade de expressá-lo, para que assim possa adquirir um bem estar existencial.
Percebem-se movimentos mundiais de respeito às diferenças culturais e sensibilização as diversas realidades. Um dado importante advém da globalização, que tem permitido uma redução do distanciamento social e a livre troca de benefícios e auxílios emergenciais. As nações reconhecem a responsabilidade do uso coletivo do planeta e a preservação e sustentação da vida.
Todavia, interesses comerciais têm gerado discussões acaloradas e avançado lentamente nos acordos e no respeito às metas a serem atingidas, mas é inegável a participação maciça da opinião publica, como fator relevante no impulso nas negociações. A tecnologia de informação caminha instantaneamente expondo a fragilidade, bem como a necessidade de uma renovação de valores.
Em uma reflexão mais minuciosa, os desafios são motores condutores da ação humana, levando a superação dos obstáculos para a realização dos objetivos. Essa premissa é relevante mesmo quando lidamos com o desenvolvimento da espiritualidade, bem exemplificado pelo professor Gheshe Kelsang Gyatso:
“Homens de negócios estão dispostos a sacrificar seu lazer e paz mental só para ganhar dinheiro e soldados se submetem a situações de extremo rigor apenas para matar seus adversários. Visto que nossa meta é obter a iluminação para beneficiar todos os seres vivos, quão maior deve ser nossa disposição de suportar dificuldades”.
Através dos noticiários ouvimos pela primeira vez o mundo, e inimigos históricos, se reunirem por uma causa comum: a vida. Vários esforços continuam demonstrando o verdadeiro potencial humano e a importância da reflexão pessoal acerca das nossas posturas individuais. O lugar do outro nunca foi tão próximo e a proteção e conservação deste espaço estão alem de questões político-econômicas e de classes, mas de dignidade.
Sergio Bosco
Bacharel em Teologia pela PUC-SP com Extensão universitária em Doutrina social da Igreja pela Faculdade Dehoniana de Taubaté. Escritor, pesquisador e ensaísta.
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