Ser ou não ser? O moralismo nosso de cada dia

Ser ou não ser? O moralismo nosso de cada dia
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Impossível estar no desafio do tempo presente sem um olhar para o passado, pois percebemos a mesma dialética e pedagogia aplicada em todos os povos e línguas numa busca incessante pelo desenvolvimento do ser humano ideal. Mesmo posteriormente entre os pensadores ateístas, imperou a máxima filosófica do homem integro das máculas sociais, um homem moderno e reconstruído das experiências, capaz de gerenciar e conduzir sua história.

Necessário refletir isto na espécie como um todo e não em casos isolados, uma sincronicidade (Jung) evolutiva perceptível em valores comunitários cooperativos e de uma consciência ambiental sustentável. Não, é claro, sem uma liberação de atrito acumulado entre ser e o dever ser. (Kant), um conflito que deriva tanto de uma ordem objetiva, quanto por sua porção subjetiva.

Zygmunt Bauman se debruçava e alertava para a, o que ele nomeava, crescente sociedade liquida:

A modernidade imediata é “líquida” e “veloz”, mais dinâmica que a modernidade “sólida” que suplantou. A passagem de uma a outra acarretou profundas mudanças em todos os aspectos da vida humana. A modernidade líquida seria “um mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível”.

Assim, traduzir a tensão gerada por esta expectativa de um ser superior, em ressonância aos fatores transitórios e intrínsecos que modelam o sujeito, pode iluminar a percepção para as questões adjacentes que movimentam essa gangorra incessantemente onde, ora decorremos em tempos promissores, ora em períodos críticos refletidos na sociedade, alternando crises institucionais com épocas de desenvolvimento. Ciclos de moral-fundamentalista e amadurecimento ético.

Impossível não fazer um link entre as inúmeras mensagens deixadas por uma gama de pensadores (Lao Tzu), filósofos (Sócrates), lideres (Yeshua) e mestres (Sidarta) que apontavam para uma mesma direção: o autoconhecimento. A necessidade primeira para ascensão do intelecto na percepção da ética, ou seja, princípios que motivam, distorcem, disciplinam ou orientam o comportamento humano, ampliando a capacidade de escolhas e ações

Somente depois, e não antes desse “mergulho” existencial, pode o ser humano orientar os seus sentidos para um conhecimento superior que é: o lugar do outro, e assim poder responder as questões sociais com parcialidade e equilíbrio. Essa demanda esta inserida em todo DNA e muito bem representada através do mito do Paraíso e da Arvore do Conhecimento (Gen 3), bem como na celebre frase do clássico Hamlet: Ser ou não Ser?

Sergio Bosco

Bacharel em Teologia pela PUC-SP com Extensão universitária em Doutrina social da Igreja pela Faculdade Dehoniana de Taubaté. Escritor, pesquisador e ensaísta.

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