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Espiritualidade em tempos de caos: existe sentido neste século?
No imaginário humano existe a ilusão de um passado com maior equilíbrio e justiça do que os tempos atuais, da mesma forma que no imaginário navega o desejo por dias melhores. Nenhum modelo de organização anterior foi de perto mais inclusivo ou próximo do que podemos chamar de equânime (igualdade de temperamento; moderação) nas relações sociais. Então como avaliar um avanço evolutivo entre fatos tão degradantes que tem assolado os noticiários e as redes? Exatamente. Indignação. Os eventos que temos presenciado sempre ocorreram, mas o que tem se transformado é a consciência, a sabedoria emocional que se manifesta em declarações e notas de repudio uníssonas.
Os seres humanos são dotados de identidade pessoal, de individualidade nas suas escolhas e reflexões, o que torna difícil presenciarmos grandes movimentos majoritários em escolhas sociais. Uma vez que percebemos esse fenômeno, quando uma ação isolada leva milhares a refletirem e clamarem por mudanças, genuinamente parte de um sentimento de entendimento global: não se trata de uma escolha aceitável porque fere a todo o grupo da espécie humana; fere os princípios que regem a dignidade e a vida. Mas esse fenômeno é puramente racional, institucional ou representa outra parcela humana?
Espiritualidade, self, potencial criativo, para cada vertente de pensamento existe uma crença comum que é a capacidade em todos os homens de transmitir e trabalhar para que os semelhantes recebam os mesmos benefícios e direitos individuais. Não, isso não foi comum no passado, uma vez que nem todos os homens eram vistos como iguais. Foi uma evolução interior, um questionamento que partiu de pessoas, formaram pequenos grupos e foram sendo propagados e encontrando sintonia em cada ente humano. Não houve a necessidade de tratados épicos, uma vez que a simplicidade gerou ressonância e uma adesão instintiva.
A história contabiliza uma gama de escritos apocalípticos sobre as catástrofes que se abatem sobre uma sociedade quando a iniquidade e a indiferença se tornam palavra de ordem. Nenhuma realmente deixou de ser cumprida e muitos povos encontraram seu declínio como previsto, mas a humanidade jamais deixou de continuar caminhando em sua jornada em busca de paz e harmonia. Nem mesmo duas grandes guerras foram capazes de separar os povos, ao contrario, geraram uma declaração que comprometem as nações a buscarem por entendimento, respeito e dignidade. Nenhuma guerra é positiva, mas é importante notar que foram esses fatos que levaram milhares não apenas ao desejo, mas as ações que levassem a paz.
Atualmente outra guerra é travada, uma guerra que visa determinar qual é exatamente o impacto econômico do valor individual humano. Um embate que tem a espiritualidade aliada à razão no favorecimento do empoderamento humano, contra alguns setores sectários que acreditam em sua supremacia sobre os demais. Sabemos unicamente que essa contemporaneidade se encontra em desequilíbrio e que ainda demanda muito tempo para a transformação desejada, alvo para as novas gerações e um desafio para as anteriores.
Sergio Bosco
Bacharel em Teologia pela PUC-SP com Extensão universitária em Doutrina social da Igreja pela Faculdade Dehoniana de Taubaté. Escritor, pesquisador e ensaísta.
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