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Farisaísmo em transe: a onda retro do falso moralismo social-religioso
Em meio a tantas transformações sociais onde líderes religiosos apregoam estarem numa cruzada contra o mal, adentrando explicitamente no campo político, o que pode ser considerado como benéfico ou negativo na conduta de apoios ou mesmo a participação nos cargos eletivos? Bom, vale considerar que nas três grandes religiões do planeta, nenhum dos homens considerados enviados, desejou ou procurou adentrar ou manter o poder político. Todos se revelaram estarem além das causas naturais e centrados na certeza de que toda a mudança social só viria da conversão em uma vida pautada pela espiritualidade.
Claro que de lá para cá as coisas mudaram e muito dos que se alternaram no controle de suas instituições deixaram muito a desejar nesse plano, pois começaram a se ater mais as questões das necessidades existenciais, do que na celebração da vida. Guerras religiosas foram travadas num simples desejo de poder e ambição mascarados sobre uma irrefutável obrigação divina, tornando o mundo mais caótico e necessitado de paz. Antes do inicio da segunda grande guerra mundial, lideres das fraternidades brancas elegeram Adolf Hitler como o grande messias que livraria o mundo da política socialista, passando a influenciar as elites alemãs como sua única escolha viável.
Para que os planos de ascensão pudessem ser financiados, uma massa rica de não cristãos deveria ser demonizada e dessa forma judeus foram difamados e perseguidos, suas práticas e reuniões religiosas proibidas, sua fé menosprezada e sua legitima humanidade diminuída. Os horrores gerados a partir dessa propaganda e que atingiu todos os continentes, inclusive tendo o apoio de inúmeras nações em seu princípio, geraram grupos que se mantém até hoje na firme convicção de que são melhores e superiores aos demais seres humanos pelo simples fato de sua cor, ou adesão incondicional ao grupo.
As leis e as penas apenas valeriam e se aplicariam a aqueles considerados inferiores, dando margem de atuação e de não punição aos que apenas agiriam em prol da doutrina do conservadorismo supremacista. Esse é apenas um exemplo mais próximo para poder entender nossos tempos e essas intermináveis idas e vindas do radicalismo religioso, bem como de falsos líderes espirituais. Para reconhecer quando e onde eles atuam, basta se perguntar: o que eles propagam gera vida ou ódio? Promove a paz ou decreta a guerra? Salva ou executa? Hoje vemos o próprio cristianismo, pacifista em sua essência, sendo utilizado como veiculo para disseminação da intolerância ideológica. A fé precisa sair dos altares e dos pleitos eleitorais e voltar a sua verdadeira vocação que é unir homens e povos para o bem comum.
Sergio Bosco
Bacharel em Teologia pela PUC-SP com Extensão universitária em Doutrina social da Igreja pela Faculdade Dehoniana de Taubaté. Escritor, pesquisador e ensaísta.
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