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O amor na espera: A capacidade humana em materializar a mensagem universal
Muito sentido figurado era utilizado pelos antigos para transmitir valores, sabedoria e entendimento. Os povos se reuniam em volta de fogueiras para ouvir os anciões e os experientes sobre as questões humanas e espirituais, afinal dessa forma eram repassadas todas as informações para que os jovens pudessem retransmitir no futuro. Assim novas percepções foram adicionadas, mas sem distorcer o conteúdo principal da mensagem original: enxergar além da matéria; ouvir a voz do espírito; reconhecer o aroma da paz; e sentir não com o tato, mas com o coração. Hoje pode parecer fácil e lógico essa concepção única e simplesmente porque levou séculos sendo depurada e assimilada entre a humanidade.
Ser guru ou líder espiritual na atualidade é infinitamente mais fácil do que na antiguidade, porque exigia proximidade, conhecimento, responsabilidade e respeito aos membros do um clã. Atente que o desejo de todo clã era a longevidade de sua cultura, o que levava a manutenção do nome patriarcal, sendo assim 700 anos da vida de um personagem histórico era o tempo de sobrevivência de seu clã antes de se anexar ou sucumbir como memória. Os xamãs preservavam através dos contos e dos valores culturais, a lembrança dos antecessores e da jornada espiritual da tribo, mantendo vivo o núcleo de unificação com o ambiente, na espera da libertação do corpo material.
Em nenhuma cultura se acreditou na morte como um fim. Esta é uma realidade central da Espiritualidade. Mesmo na filosofia moderna essa verdade foi percebida e debatida pela ciência: “Na natureza nada se crea ou se aniquila, tudo se transforma”. Nas palavras de Huberto Rohden:
“Crear é a manifestação da Essência em forma de existência – criar é a transição de uma existência para outra existência. Dessa forma podemos dizer que o Poder Infinito é o creador do Universo e que um fazendeiro é criador de gado. Que entre os homens gênios há creadores, embora não sejam talvez criadores. A conhecida Lei de Lavoisier diz que “Na natureza nada se crea e nada se aniquila, tudo se transforma”. Se grafarmos “nada se crea”, esta lei está certa, mas se escrevermos “nada se cria”, ela resulta totalmente falsa. A substituição da tradicional palavra latina crear pelo neologismo criar é aceitável em nível de cultura primária, porque favorece a alfabetização e dispensa esforço mental, mas não é aceitável em nível de cultura superior, porque deturpa o pensamento”.
Fé nunca teve relação com ignorância, ou contrario, para obter uma fé solida sempre foi necessário conhecimento sobre a matéria, para só então adentrar o espaço sagrado da Espiritualidade. Não imagine que esse espaço se encontra fora, não esta nos templos, igrejas ou afins, mas é o interno. O corpo é o receptáculo do espírito, o instrumento pelo qual o espírito realiza sua jornada da vida e é através dessa ótica que todos os textos e culturas antigas devam ser estudados. Não existem divisões entre mundo material e espiritual, ambos residem no mesmo tempo e espaço: o corpo. Uma relação que pode transformar o mundo interior, realizando o milagre da ressurreição para uma nova vida, uma vida plena.
Sergio Bosco
Bacharel em Teologia pela PUC-SP com Extensão universitária em Doutrina social da Igreja pela Faculdade Dehoniana de Taubaté. Escritor, pesquisador e ensaísta.
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