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Papa Francisco e o cinema: a Sétima Arte como ferramenta de fé e memória
Durante o Jubileu dos Artistas, em 17/2, o Papa Francisco entrará para a história ao se tornar o primeiro pontífice a visitar os estúdios da Cinecittà, segundo Eugenio Murrali, em matéria para o Vatican News. Para o Papa, o cinema não é apenas uma forma de entretenimento, mas também um meio poderoso de reflexão e evangelização. Desde a infância, sua relação com a sétima arte tem sido marcada por memórias, ensinamentos e grandes influências.
O cinema como ponte entre espiritualidade e cultura
Francisco enxerga o cinema como uma ferramenta essencial para educar o olhar e aprofundar a compreensão sobre a condição humana. Para ele, a arte cinematográfica permite enxergar a beleza e reconhecer a presença de Deus na harmonia das imagens. Em 2023, ao falar com membros da Fundação de Organização de Entretenimento, destacou a relevância do trabalho artístico, afirmando que a beleza é uma grande expressão divina.
Além disso, o Papa reconhece o poder do cinema na formação de valores. Ele relembrou que, em sua infância, os filmes neorrealistas italianos ajudaram a construir seu senso de compaixão e justiça. “Esses filmes formaram nossos corações”, afirmou em um encontro com operadores de cinema católicos.
Neorrealismo: uma catequese do olhar
Francisco menciona frequentemente o neorrealismo italiano como um dos estilos que mais o marcaram. Clássicos como La Strada, Roma, Cidade Aberta e As Crianças nos Observam moldaram sua visão sobre a vida e a dignidade humana. Segundo ele, essas obras oferecem uma “catequese do olhar”, pois ensinam a enxergar o mundo com mais empatia e sensibilidade.
Além disso, o Papa acredita que o cinema pode transformar nossa percepção sobre a realidade. Ao se conectar com histórias e personagens, o espectador se vê refletido na tela, compreendendo melhor suas próprias fragilidades e desafios.
Outros filmes que marcaram Francisco
Embora o neorrealismo tenha sido uma grande influência, outras obras também impactaram sua visão sobre a espiritualidade. Na exortação apostólica Amoris Laetitia, ele citou A Festa de Babette como um exemplo tocante de generosidade e entrega. Já em uma visita pastoral, recomendou Rapsódia em Agosto, de Akira Kurosawa, para ilustrar a importância dos laços entre avós e netos.
O impacto da sétima arte na evangelização
Para Francisco, o cinema não apenas registra a história, mas também ajuda a moldar consciências. Ele acredita que a arte pode ser uma ferramenta valiosa para evangelizar e despertar reflexões profundas. Durante uma catequese em Buenos Aires, utilizou um filme para inspirar os fiéis e conduzir um diálogo sobre valores essenciais.
Agora, com sua visita à Cinecittà, o Papa reforça a importância do cinema como meio de diálogo entre fé e cultura. Sua perspectiva ressalta que a arte cinematográfica tem um papel fundamental na construção de um mundo mais compassivo, sensível e conectado com a espiritualidade.
Rogério Victorino
Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.
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