Papa Leão XIV: cristãos serão chamados a peregrinar juntos a Jerusalém em 2033

Jubileu da Redenção de 2033 propõe peregrinação ecumênica inédita a Jerusalém e reposiciona a unidade cristã no centro da história.
Em 2033, cristãos são chamados a peregrinar juntos a Jerusalém
Foto: Canva

Em 2033, todos os cristãos serão convidados a fazer algo que, até agora, parecia mais desejo teológico do que agenda concreta: peregrinar juntos a Jerusalém para celebrar os dois mil anos da Redenção. O anúncio, feito pelo Papa Leão XIV em Niceia, não se limita a uma comemoração simbólica. Ele reposiciona a fé cristã no seu ponto de origem e testa, de forma direta, até onde a comunhão entre as Igrejas consegue avançar.

O Jubileu da Redenção nasce, portanto, menos como um evento litúrgico e mais como um gesto histórico. Pela primeira vez, a Igreja de Roma propõe um jubileu pensado desde a origem como ecumênico, com Jerusalém – e não Roma – como centro espiritual. O convite desloca o eixo da celebração e, ao mesmo tempo, expõe as tensões ainda não resolvidas da cristandade.

Um jubileu entre dois tempos e dois papas

O anúncio ocorre num intervalo simbólico. Em 2025, a Igreja Católica celebrou o Jubileu da Esperança, encerrado por Leão XIV na Epifania, após atrair mais de 33 milhões de peregrinos a Roma. Ao fechar as portas da Basílica de São Pedro, o novo pontífice não apenas concluiu um ciclo, como sinalizou outro.

Durante sua primeira viagem apostólica ecumênica, em Niceia, Leão XIV convocou os líderes das Igrejas cristãs a caminharem juntos rumo a 2033. O lema episcopal do Papa, In Illo Uno Unum, deixou de funcionar como fórmula espiritual e passou a operar como programa concreto.

Jerusalém como retorno às raízes comuns

O Jubileu da Redenção já aparecia, de forma discreta, na bula do Jubileu de 2025, quando o Papa Francisco indicou 2033 como um horizonte inevitável. Não se trata apenas de uma data redonda. Trata-se do núcleo da fé cristã: a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus.

Jerusalém surge, nesse contexto, não como destino turístico ou palco simbólico, mas como lugar teológico incontornável. A proposta retoma uma intuição antiga, já presente no gesto de Paulo VI ao peregrinar à Terra Santa em 1964, quando buscou enraizar o Concílio Vaticano II na origem da fé.

Uma proposta ecumênica sem precedentes

Para o padre Frans Bouwen, missionário belga e referência no ecumenismo da Terra Santa, o anúncio surpreendeu até mesmo quem dedicou a vida ao diálogo entre as Igrejas. Segundo ele, a força do gesto está no contexto: o anúncio ocorreu durante as celebrações dos 1.700 anos do Concílio de Niceia, em meio a líderes cristãos sentados à mesma mesa, em clima de fraternidade.

Esse detalhe importa. O Jubileu de 2033 não nasce como iniciativa unilateral. Ele depende de consenso, escuta e preparação comum. Sem isso, a peregrinação corre o risco de se reduzir a um símbolo vazio.

Da memória histórica ao sinal profético

O cristianismo nunca celebrou um Jubileu em 1033. Os jubileus extraordinários de 1933 e 1983, promovidos por Pio XI e João Paulo II, permaneceram essencialmente católicos. O horizonte de 2033, contudo, aponta para algo novo.

Se a peregrinação ecumênica se concretizar, ela poderá representar o primeiro jubileu verdadeiramente compartilhado por católicos, ortodoxos e outras tradições cristãs. Nesse sentido, mais do que recordar o passado, o evento pode funcionar como sinal profético de um futuro ainda incompleto.

Preparação lenta, sinodal e realista

A preparação para 2033 não admite improvisação. Segundo Bouwen, ela exige processos sinodais, grupos de trabalho conjuntos e diálogo direto com as Igrejas locais, especialmente com a Igreja de Jerusalém. A cidade não aparece como palco neutro, mas como Igreja-mãe, pequena, frágil e marcada por tensões permanentes.

Peregrinar a Jerusalém, nesse contexto, implica reconhecer-se hóspede. Implica também aceitar que a unidade cristã não nasce da força institucional, mas da capacidade de caminhar juntos em meio às limitações.

Um horizonte de esperança em tempos difíceis

O Jubileu da Redenção surge num mundo atravessado por guerras, injustiças e crises humanitárias. Ainda assim, a proposta não espera um cenário ideal. Ela retoma a lógica da Encarnação: Deus entrou na história quando o mundo estava longe da perfeição.

Celebrar 2033 significa afirmar que a Ressurreição irrompeu no meio da morte e a venceu. É essa tensão – entre fragilidade histórica e esperança radical – que dá sentido ao convite feito aos cristãos de hoje. Reportagem do Vatican News.

FAQ sobre o jubileu da redenção de 2033

O que é o Jubileu da Redenção de 2033?
É a celebração dos dois mil anos da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, proposta como um jubileu ecumênico com peregrinação a Jerusalém.

Por que Jerusalém é o centro da celebração?
Porque foi em Jerusalém que ocorreram os eventos centrais da fé cristã, tornando a cidade o ponto comum de origem para todas as Igrejas.

Esse jubileu será diferente dos anteriores?
Sim. Pela primeira vez, o jubileu é concebido desde o início como ecumênico, envolvendo diversas tradições cristãs.

Qual é o papel do ecumenismo nesse processo?
O ecumenismo não é um elemento secundário, mas o eixo central da proposta, que depende de consenso, diálogo e preparação conjunta.

O Jubileu de 2033 pode levar à unidade plena dos cristãos?
Ele não garante a unidade plena, mas pode se tornar um sinal concreto e profético de avanço real na comunhão entre as Igrejas.

Rogério Victorino

Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.

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