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Papa Leão XIV alerta em Óstia: violência cresce entre jovens e educação vira urgência
O Papa Leão XIV pediu, neste domingo (15/02), que a comunidade de Óstia “desarme a linguagem” e invista energia e recursos na educação, especialmente de crianças e jovens. O Pontífice falou sobre a violência que fere o território e que, segundo ele, ganha força entre adolescentes, muitas vezes alimentada pelo abuso de substâncias e pela ação de organizações criminosas que exploram pessoas e recrutam para crimes.
A mensagem surgiu durante a missa celebrada na Paróquia de Nossa Senhora Rainha da Paz, em Óstia Lido, cidade litorânea próxima a Roma. A visita marcou a primeira de cinco visitas paroquiais romanas previstas para os domingos antes da Páscoa.
O domingo como ponto de partida
Na homilia, Leão XIV afirmou que sentiu alegria ao estar com a comunidade e destacou o sentido do domingo como “dia do Senhor”. Segundo ele, Jesus Ressuscitado vem ao encontro, escuta, fala, alimenta e envia.
O Papa também comentou o Evangelho do dia, no qual Jesus anuncia o que chamou de “nova lei”. Para Leão XIV, ela não se resume a um ensinamento: ela traz força para ser praticada. Essa força, disse, vem da graça do Espírito Santo, que grava no coração o caminho para cumprir os mandamentos.
Mandamentos como pedagogia, não como opressão
Ao lembrar a Primeira Leitura do Livro do Eclesiástico, o Pontífice afirmou que os mandamentos do Senhor não representam uma lei opressiva. Pelo contrário, eles funcionam como pedagogia para uma humanidade que busca plenitude de vida e liberdade.
Nesse ponto, Leão XIV reforçou que Jesus indica um caminho para a plenitude humana baseado na fidelidade a Deus e no respeito ao outro, visto como alguém de sacralidade inviolável.
Além disso, ele enfatizou que esse cuidado precisa nascer no coração antes mesmo de virar gesto ou palavra. Para o Papa, é no interior da pessoa que surgem os sentimentos mais nobres, mas também as profanações mais dolorosas, como fechamento, inveja e ciúme.
Quando o coração esfria, o mundo sangra
Leão XIV citou a Primeira Carta de São João: “Todo aquele que odeia o seu irmão é assassino”. Em seguida, ele afirmou que essas palavras permanecem verdadeiras porque o mal que aparece no mundo nasce quando o coração se torna frio, duro e sem misericórdia.
O Papa então trouxe a reflexão para a realidade local. Segundo ele, Óstia vive esse cenário de forma concreta, porque a violência existe, fere e cresce. Ele citou, de modo direto, a presença desse problema entre jovens e adolescentes.
O Pontífice também relacionou essa escalada ao abuso de substâncias e à influência de organizações criminosas, que exploram pessoas, envolvem moradores em crimes e perseguem interesses iníquos com métodos ilegais e imorais.
O apelo: não aceitar a cultura do abuso
Diante desse quadro, Leão XIV pediu que a comunidade paroquial, junto com outras realidades virtuosas que atuam no território, siga trabalhando com generosidade e coragem. O objetivo, segundo ele, precisa ser semear a boa semente do Evangelho nas ruas e nas casas, sem se conformar com uma cultura de abuso e injustiça.
Além disso, ele pediu que se difunda respeito e harmonia. Para o Papa, esse processo começa por algo aparentemente pequeno, mas decisivo: desarmar a linguagem.
Em seguida, ele defendeu investimento real em educação, com prioridade para crianças e jovens. Para Leão XIV, a paróquia deve funcionar como um lugar onde se aprende honestidade, acolhimento e um amor que atravessa fronteiras.
Segundo o Pontífice, a comunidade também precisa ensinar a ajudar não apenas quem retribui e a cumprimentar não apenas quem cumprimenta. Em vez disso, ela deve ir ao encontro de todos de forma gratuita e livre.
Por fim, ele destacou a coerência entre fé e vida como uma exigência que não pode ficar no discurso.
Um objetivo que ultrapassa o bairro
Leão XIV afirmou que esse esforço não deve servir apenas a quem está perto. Ele disse que a missão também precisa alcançar quem está longe.
Segundo o Papa, até mesmo quem se tornou “escravo do mal” pode encontrar, por meio da comunidade, o Deus do amor, que liberta o coração e torna verdadeiramente feliz.
O tom, nesse trecho, deixou de ser apenas pastoral. Ele assumiu também um peso social, quase administrativo, como se dissesse: a violência não se resolve apenas com polícia. Ela também se resolve com vínculos, presença e educação.
A paróquia nasceu na guerra, como sinal de paz
Durante a homilia, Leão XIV lembrou que, há 110 anos, o Papa Bento XV quis a criação dessa paróquia dedicada a Nossa Senhora Rainha da Paz. Ele situou o gesto no auge da Primeira Guerra Mundial e afirmou que Bento XV pensou a comunidade como um raio de luz no céu plúmbeo da guerra.
No entanto, Leão XIV reconheceu que o tempo passou e, mesmo assim, muitas nuvens ainda obscurecem o mundo. Segundo ele, lógicas contrárias ao Evangelho se espalham, exaltam a supremacia do mais forte, encorajam a prepotência e alimentam a sedução da vitória a qualquer custo.
Além disso, essas lógicas, disse o Papa, permanecem surdas ao grito de quem sofre e de quem não consegue se defender.
A mansidão como força que desarma
Para enfrentar esse tipo de cultura, Leão XIV propôs uma resposta que não parece popular no século XXI, mas que, para ele, continua eficaz: a mansidão. O Pontífice pediu que os fiéis se oponham às lógicas violentas com a “força desarmante da mansidão”, mantendo o compromisso de pedir a paz e cultivar esse dom com tenacidade e humildade.
Ele citou Santo Agostinho, que dizia que não é difícil possuir a paz. Para Agostinho, se alguém quiser, a paz está ao alcance e pode ser possuída sem esforço. Leão XIV explicou que essa paz tem um nome: Cristo. E, segundo ele, a pessoa conquista essa paz quando se deixa conquistar e transformar por Jesus, abrindo o coração.
Além disso, essa abertura não fica no plano abstrato. Ela se concretiza quando o coração também se abre para aqueles que Deus coloca no caminho.
O fechamento final: Maria como guarda da comunidade
Ao concluir, o Papa convidou os fiéis a viverem esse compromisso todos os dias, juntos, como comunidade. Ele pediu a ajuda de Maria, Rainha da Paz, e afirmou que ela, como Mãe de Deus e mãe da Igreja, deve guardar e proteger o povo.
Em Óstia, no fim, o Papa não falou apenas de fé. Ele falou de linguagem, educação e escolhas diárias. E, ao fazer isso, ele deixou uma tese incômoda: antes de o mundo desabar, ele sempre começa a desabar dentro de alguém. Reportagem do Vatican News.
FAQ sobre o Papa Leão XIV em Óstia
O que o Papa Leão XIV pediu durante a visita a Óstia?
Ele pediu que a comunidade difunda respeito e harmonia, comece por “desarmar a linguagem” e invista energia e recursos na educação, especialmente de crianças e jovens.
Por que o Papa citou a violência em Óstia durante a homilia?
Ele afirmou que a violência existe no território, fere a comunidade e ganha força entre jovens e adolescentes. Além disso, ele associou esse crescimento ao abuso de substâncias e à ação de organizações criminosas.
O que significa “desarmar a linguagem”, segundo o discurso do Papa?
No contexto da homilia, a expressão indica reduzir discursos agressivos, julgamentos e desprezo. O Papa sugeriu que a violência começa no coração e se espalha quando a linguagem vira instrumento de hostilidade.
Qual foi o papel atribuído à paróquia na formação de crianças e jovens?
Leão XIV disse que a paróquia deve ensinar honestidade, acolhimento e amor que ultrapassa fronteiras. Além disso, ela deve incentivar ajuda gratuita e coerência entre fé e vida, como formação integral.
Por que o Papa mencionou Bento XV e a origem da paróquia?
Ele lembrou que Bento XV criou a paróquia há 110 anos, durante a Primeira Guerra Mundial, como um sinal de luz e paz. O Papa usou essa memória para reforçar que a missão de paz continua atual.
Rogério Victorino
Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.
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