Papa Leão XIV alerta: guerras colocam a saúde em risco e viram “o mais absurdo atentado contra a vida”

Papa Leão XIV alerta que guerras ameaçam a saúde pública e pede saúde para todos, equidade, prevenção e cooperação internacional.
Papa Leão XIV alerta: guerras colocam a saúde em risco e viram “o mais absurdo atentado contra a vida”
Foto: Wikimedia Commons

Em um mundo que despeja bilhões em armas e ainda chama isso de “defesa”, o Papa Leão XIV escolheu ir direto ao ponto: as guerras colocam a saúde em perigo e representam “o mais absurdo atentado contra a vida”. O Pontífice fez o alerta durante audiência com os participantes da Plenária da Pontifícia Academia para a Vida, que debate o tema “Saúde para todos. Sustentabilidade e equidade”.

Leão XIV destacou que, em meio a conflitos que absorvem recursos econômicos, tecnológicos e organizacionais, dedicar energia para proteger a vida e a saúde ganha um valor simbólico e prático ainda maior. Em outras palavras: o mundo consegue organizar logística para destruir, mas precisa reaprender a organizar o básico para cuidar.

Saúde não é luxo e não pode virar privilégio

Ao retomar uma ideia já defendida por Papa Francisco, Leão XIV reforçou que saúde não é bem de consumo, mas sim direito universal. Por isso, o acesso a serviços não pode funcionar como um clube exclusivo, onde entra quem tem dinheiro, influência ou o passaporte certo.

O Pontífice também associou o tema ao cenário contemporâneo, marcado por desigualdades e pelo enfraquecimento de políticas públicas. Para ele, a saúde só se sustenta quando a sociedade protege a vida como um valor real, e não como uma frase bonita para discursos.

O recado contra o lucro imediato

Leão XIV afirmou que a saúde coletiva depende da saúde individual. Além disso, ele lembrou que a pandemia de Covid-19 evidenciou, de forma dura, como a humanidade vive sob reciprocidade e interdependência.

Por isso, ele defendeu que a sociedade precisa olhar menos para o lucro imediato e mais para o que beneficia a todos. O Papa também pediu paciência, generosidade e solidariedade, além da criação de laços e pontes que permitam trabalhar em rede e otimizar recursos.

O discurso, no entanto, não tem nada de ingênuo. Ele aponta um problema central: quando a lógica econômica vira a única bússola, a saúde deixa de ser um direito e passa a ser um produto.

Prevenção, desigualdade e o escândalo das guerras

O Pontífice também chamou atenção para a prevenção, que depende de políticas sociais e ambientais. Segundo ele, basta comparar a expectativa de vida entre países e grupos sociais para enxergar desigualdades profundas ligadas a fatores como renda e escolaridade.

Ao mesmo tempo, Leão XIV afirmou que não existe como falar de saúde pública sem falar de guerra. Ele destacou que os conflitos atingem estruturas civis, inclusive hospitais, e destroem a base mínima de proteção social.

Segundo o Papa, soa hipócrita afirmar que vida e saúde são valores fundamentais para todos enquanto se ignora as causas estruturais e as decisões práticas que produzem desigualdades. Ele também denunciou que, na realidade, nem todas as vidas recebem o mesmo respeito e nem toda saúde recebe a mesma proteção.

Saúde única: quando o planeta entra na consulta

Como caminho para enfrentar os desafios atuais, Leão XIV citou o conceito de One Health (Saúde Única). Essa abordagem reconhece que saúde humana, saúde ambiental e equilíbrio ecológico se conectam de forma direta.

O Papa explicou que, em termos de ação pública, a Saúde Única exige integrar a dimensão sanitária em todas as políticas. Isso inclui áreas como transporte, habitação, agricultura, emprego e educação. Assim, a saúde deixa de ser um setor isolado e passa a ser o resultado do funcionamento social como um todo.

Na prática, trata-se de um lembrete desconfortável: ninguém vive bem em um mundo doente, mesmo que tenha um bom plano de saúde.

Diplomacia e multilateralismo como parte do tratamento

Ao considerar o alcance global do tema, Leão XIV defendeu o fortalecimento das relações internacionais e multilaterais. Para ele, essas estruturas precisam recuperar força para cumprir seu papel de encontro e mediação, prevenindo conflitos.

O Pontífice alertou ainda para o risco de que países e grupos se sintam tentados a prevalecer sobre os outros pela lógica da força, seja ela verbal, física ou militar.

Ao final, ele desejou que o trabalho da Academia se torne testemunho eficaz de cuidado mútuo, que, segundo a tradição cristã, expressa o estilo de Deus no cuidado com seus filhos. Reportagem do Vatican News.

FAQ sobre o alerta do Papa Leão XIV sobre saúde e guerras

O que o Papa Leão XIV disse sobre guerras e saúde pública?
Leão XIV afirmou que as guerras colocam a saúde em perigo e representam “o mais absurdo atentado contra a vida”. Ele destacou que conflitos atingem estruturas civis, inclusive hospitais, e destroem condições mínimas de cuidado e prevenção.

Por que o Papa criticou o uso de recursos em armamentos?
O Pontífice apontou que guerras absorvem enormes recursos econômicos, tecnológicos e organizacionais para produzir armas. Para ele, esse contraste torna ainda mais urgente dedicar esforços para proteger a vida e a saúde, em vez de financiar destruição.

Qual foi a mensagem do Papa sobre lucro e saúde?
Leão XIV defendeu que a sociedade precisa olhar menos para o lucro imediato e mais para o que beneficia a todos. Ele afirmou que a saúde depende de solidariedade, trabalho em rede e construção de pontes, e não da lógica do privilégio.

O que significa o conceito de One Health citado pelo Papa?
One Health, ou Saúde Única, é uma abordagem que reconhece a ligação entre saúde humana, ambiente e equilíbrio ecológico. Ela propõe integrar saúde em políticas de transporte, habitação, agricultura, emprego e educação, porque a saúde se constrói no conjunto da vida social.

Por que Leão XIV falou em fortalecer o multilateralismo?
Ele afirmou que, como a saúde e os conflitos têm alcance global, é necessário fortalecer relações internacionais e multilaterais. Segundo o Papa, essas estruturas precisam recuperar força para mediar tensões, prevenir guerras e evitar que a lógica da força prevaleça.

Rogério Victorino

Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.

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