Pesquisadores brasileiros desenvolvem ferramenta de IA para detectar câncer

Ferramenta de IA desenvolvida no Brasil promete otimizar a detecção de câncer e enfisema em tomografias. Entenda como a tecnologia funciona.
Pesquisadores brasileiros desenvolvem ferramenta de IA para detectar câncer
Foto: Canva

Muitas vezes, doenças graves como o enfisema e o câncer de pulmão avançam silenciosamente pelo corpo durante anos, sem apresentar sintomas claros. No entanto, uma nova esperança surge da ciência brasileira para mudar esse cenário. Pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) desenvolvem uma ferramenta de IA (Inteligência Artificial) que promete otimizar a detecção dessas enfermidades em exames de tomografia, consequentemente, abrindo uma janela crucial para o diagnóstico precoce e tratamentos mais eficazes.

O software, batizado de ChestFinder, representa um avanço significativo na análise de imagens médicas. Por essa razão, a equipe do Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói, iniciou o projeto há cerca de dois anos, e agora começa a colher resultados promissores. A ferramenta, segundo a Agência Brasil, já demonstra uma acurácia e sensibilidade notáveis em seus primeiros testes, indicando um futuro onde a tecnologia atua como uma aliada fundamental na preservação da vida.

Como funciona a tecnologia que antecipa o diagnóstico

A equipe de pesquisadores da UFF treina ativamente o ChestFinder com vastos bancos de dados. De fato, esses bancos contêm milhares de imagens de tomografias e laudos médicos anônimos. Dessa forma, a IA aprende a identificar padrões visuais e textuais complexos que o olho humano poderia levar mais tempo para perceber ou até mesmo não notar. Consequentemente, ao analisar um novo exame, o software compara as informações com o conhecimento adquirido e sinaliza possíveis anomalias compatíveis com enfisema ou nódulos suspeitos de câncer.

Uma ferramenta de apoio, não um substituto do médico

É fundamental entender, porém, que a tecnologia não substitui o julgamento humano. O professor Daniel de Oliveira, do Instituto de Computação da UFF, ressalta essa questão. “É importante ressaltar que a ferramenta não fornece um diagnóstico, ela apresenta uma possível indicação que deve ser avaliada por um profissional”, explica ele. Em outras palavras, o ChestFinder atua como um sistema de alerta precoce. A partir dessa indicação, os médicos podem encaminhar os pacientes para um acompanhamento especializado de forma muito mais rápida, o que, por sua vez, acelera a confirmação do diagnóstico e o início do tratamento.

Além disso, os desenvolvedores planejam disponibilizar a ferramenta de IA em um repositório público. Essa iniciativa permitirá que outros hospitais, que já possuem seus exames e laudos digitalizados, implementem a tecnologia, democratizando o acesso a essa inovação. A plataforma também permite que médicos encontrem casos semelhantes para análise comparativa, enriquecendo, assim, o contexto clínico de cada paciente.

O poder do ‘achado incidental’ na saúde pública

Um dos maiores trunfos da ferramenta de IA, de acordo com a professora Cristina Asvolins, do Departamento de Radiologia da UFF, é sua capacidade de encontrar indícios de doenças de forma incidental. Por exemplo, um paciente pode realizar uma tomografia de tórax na emergência por um motivo completamente diferente, como um acidente. Mesmo que o foco do exame não seja a busca por tumores, o ChestFinder pode analisar as imagens e alertar sobre um nódulo suspeito que, de outra forma, passaria despercebido.

Portanto, essa capacidade de detecção proativa tem um impacto imenso na saúde pública. Tanto o enfisema quanto o câncer de pulmão, frequentemente ligados ao tabagismo, exigem menos intervenções e oferecem mais chances de tratamento quando descobertos em fase inicial. “Descobrir um câncer de pulmão numa fase inicial onde existe possibilidade de tratamento, traz muitos benefícios para o paciente e para a rede de saúde, seja pública ou privada”, conclui a professora.

FAQ sobre nova ferramenta de IA na detecção do câncer

O que é o ChestFinder e quem o está desenvolvendo?
O ChestFinder é um software de inteligência artificial projetado para auxiliar na detecção de enfisema e câncer de pulmão em tomografias. Um time de pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), incluindo os professores Daniel de Oliveira, Cristina Asvolins e Marcos Bedo, desenvolve a ferramenta no Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói (RJ).

A inteligência artificial fornece o diagnóstico final?
Não. A ferramenta analisa exames e laudos para identificar padrões e indicar a possibilidade da doença. Contudo, um médico especialista deve sempre avaliar essa indicação para confirmar o diagnóstico. A tecnologia serve como um apoio para acelerar o processo.

O que é um “achado incidental” e por que isso é importante?
Um achado incidental ocorre quando um exame, realizado por um motivo específico, revela uma condição médica inesperada. A importância disso é que a IA pode encontrar sinais de câncer ou enfisema em pacientes que não estavam sendo investigados para essas doenças, permitindo um diagnóstico precoce que talvez nunca ocorresse.

Como essa tecnologia beneficia o sistema de saúde como um todo?
Ao facilitar o diagnóstico precoce, a ferramenta pode diminuir significativamente os custos do tratamento, pois doenças em estágio inicial demandam intervenções menos complexas e mais baratas. Além disso, melhora as taxas de sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes, aliviando a pressão sobre a rede de saúde pública e privada.

Esta tecnologia estará disponível para qualquer hospital?
Sim, essa é a intenção. Os pesquisadores pretendem disponibilizar o ChestFinder em um repositório público. Dessa forma, qualquer hospital com um sistema de exames e laudos digitais poderá implementar e utilizar a ferramenta para aprimorar seus diagnósticos.

Rogério Victorino

Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.

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