O papel essencial do pai na aquisição de linguagem da criança: como a presença paterna impacta o desenvolvimento

A participação do pai é essencial para o desenvolvimento da linguagem na infância. Entenda como a presença paterna contribui nesse processo.
O papel essencial do pai na aquisição de linguagem da criança: como a presença paterna impacta o desenvolvimento
Foto: Canva

A fala da criança não se constrói apenas com a mãe. O papel do pai é fundamental para o desenvolvimento linguístico, ajudando a criar uma base sólida para a comunicação. No entanto, é preciso entender como a figura paterna contribui para o processo de aquisição de linguagem.

A função simbólica do pai na linguagem

Muito se fala da “língua materna”, especialmente nas campanhas educativas e orientações clínicas. A mãe assume, tradicionalmente, a responsabilidade pela comunicação inicial com a criança. Mas e o pai? O termo “língua paterna” existe, embora menos difundido. No entanto, o impacto da presença do pai na aquisição da linguagem é imenso. Ele não só complementa a língua materna, mas também desempenha um papel simbólico crucial na evolução da linguagem infantil.

Quando a criança está imersa na linguagem materna

A criança, ao nascer, é imediatamente exposta à comunicação materna, e é por meio dessa interação constante que ela começa a compreender o mundo ao seu redor. Esse primeiro vínculo, muitas vezes caracterizado pela simbiose mãe-bebê, é essencial, mas precisa de um limite. A presença do pai interrompe esse ciclo, trazendo o conceito de “terceiro” para o contexto familiar. Essa figura paterna é fundamental para que a criança entenda a diferença entre o que é familiar e o que é externo, ajudando a ampliar o repertório linguístico.

O impacto da fala do pai no desenvolvimento linguístico

Observamos, frequentemente, que crianças com atraso de linguagem tendem a ter interações limitadas com o pai. Isso não é uma crítica, mas uma oportunidade de reflexão. O pai que participa ativamente da comunicação — seja brincando, conversando ou até corrigindo — oferece à criança uma nova forma de linguagem, com diferentes ritmos, vocabulários e cadências. Essa diversidade é crucial para o desenvolvimento linguístico. A criança aprende que pode se comunicar com mais de uma pessoa e que diferentes respostas podem surgir para os mesmos gestos e expressões.

A presença do pai: mais que ser especialista

É importante destacar que o pai não precisa ser um especialista em desenvolvimento infantil para ter um papel significativo na aquisição de linguagem. O essencial é a sua disponibilidade para interagir. Escutar, responder e criar uma rotina de conversas são atitudes simples, mas poderosas. Mesmo em contextos onde o pai biológico não está presente, outras figuras masculinas, como avôs ou tios, podem exercer essa função simbólica e contribuir para o desenvolvimento da criança.

O que a fonoaudiologia diz sobre isso

A fonoaudiologia reconhece que o desenvolvimento linguístico é enriquecido pela diversidade de interlocutores. Não se trata apenas de interação com a mãe, mas de um processo mais amplo, que envolve diferentes pessoas e formas de comunicação. Quanto mais variada for a exposição da criança à linguagem, mais rica será sua capacidade de escutar, responder e construir sua própria fala. A presença do pai na rotina comunicativa da criança amplia suas referências linguísticas e contribui para seu crescimento cognitivo.

Conclusão

Podemos e devemos falar da “língua paterna”. Ela não se opõe à língua materna, mas complementa e amplia a forma como a criança se comunica. A presença do pai é fundamental para criar novos caminhos na fala, oferecendo à criança uma variedade de respostas, expressões e significados. No contexto clínico, incluir o pai nas trocas e orientações não é apenas uma escolha afetiva, mas uma estratégia terapêutica essencial. A linguagem se constrói na troca, no laço, e o pai é uma parte indispensável desse processo.

FAQ sobre a importância do pai na aquisição de linguagem da criança

O que é a função paterna na linguagem?
A função paterna é a representação simbólica que introduz a alteridade na relação mãe-bebê, permitindo que a criança se diferencie e se conecte com o mundo exterior.

O pai precisa “ensinar” a criança a falar?
Não, o papel do pai não é ensinar diretamente a criança a falar. O que importa é sua presença como interlocutor, interagindo de forma natural, escutando e respondendo de maneira ativa.

Existe diferença entre a linguagem usada pela mãe e pelo pai?
Sim, o pai tende a usar diferentes ritmos, entonações e vocabulários, enriquecendo o repertório linguístico da criança e contribuindo para a construção de sua linguagem.

Em famílias monoparentais, como trabalhar a função paterna?
Outras figuras masculinas, como avôs ou tios, podem desempenhar esse papel simbólico. O essencial é que a criança tenha acesso a uma diversidade de formas de comunicação além da materna.

Como a fonoaudiologia pode incluir o pai no tratamento?
A fonoaudiologia inclui o pai ao convidá-lo a participar das sessões, orientando-o sobre como interagir linguística e afetivamente com a criança, além de escutar suas dificuldades e dúvidas durante o processo terapêutico.

Rita Paula Cardoso

Fonoaudióloga clínica da infância, especializada no desenvolvimento da linguagem. No blog Fala Expressa aborda temas relacionados ao desenvolvimento da fala, linguagem, inclusão e bilinguismo.

Especialidades: Fonoaudiologia

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