A importância da escuta aos pais no tratamento fonoaudiológico infantil

A escuta aos pais é vital no atendimento fonoaudiológico infantil, ajudando a orientar intervenções no tempo certo e fortalecendo o cuidado.
A importância da escuta aos pais no tratamento fonoaudiológico infantil
Foto: Canva

Como a escuta aos pais orienta o tratamento e fortalece o vínculo entre criança, família e escola

Em meu consultório, ao receber uma criança, não vejo apenas ela, mas o contexto familiar e escolar que a acompanha. O tratamento fonoaudiológico se sustenta em um tripé que envolve a criança, a família e a escola – ou seja, todos os profissionais que fazem parte do seu dia a dia, como professores, psicólogos e psicopedagogos. Além desses, os médicos e outros profissionais de saúde que já acompanham a criança desempenham um papel complementar, fortalecendo a rede de cuidado.

Porém, hoje quero destacar um aspecto fundamental desse processo: a escuta aos pais. A forma como ouvimos as preocupações e as percepções dos pais é essencial. Muitas vezes, o que eles sentem e observam não é facilmente traduzido, mas é a partir desse diálogo que conseguimos traçar as melhores orientações e, muitas vezes, agir no tempo certo para evitar atrasos no desenvolvimento.

O poder da escuta do terceiro

Os pais frequentemente percebem mudanças no desenvolvimento cognitivo, social ou emocional de seus filhos, mas não sabem como identificar ou nomear esses sinais. Há uma sensação de que algo não está certo, mas a dúvida persiste. É aqui que a visão do terceiro, como o fonoaudiólogo, se torna crucial. Através da escuta atenta, consigo traduzir essas percepções em hipóteses clínicas, orientando os pais sobre as necessidades da criança e, se necessário, sugerindo encaminhamentos adequados.

Essa escuta vai além de simplesmente ouvir relatos. Ela permite compreender as emoções, expectativas e até as angústias que permeiam o processo terapêutico. Com isso, conseguimos captar pistas valiosas sobre o que a criança realmente precisa e como a família pode reorganizar seu apoio de maneira mais eficaz.

Intervenções no tempo certo

Ao ouvir atentamente os pais, sou capaz de realizar intervenções no momento mais adequado. Sabemos que o desenvolvimento infantil não espera, e que o tempo da infância é único. Uma orientação dada na hora certa pode evitar atrasos significativos e criar um caminho mais saudável e adequado para a criança. O ritmo do tratamento deve respeitar a fase em que a criança se encontra, e a escuta ativa dos pais ajuda a definir os passos para alcançar esse equilíbrio.

Além disso, ao acolher as angústias dos pais, conseguimos criar um espaço de diálogo que vai além da pressa por respostas rápidas. Quando essa pressa é evitada e substituída por um processo de orientação paciente, conseguimos realizar um trabalho mais eficaz, com foco no desenvolvimento genuíno da criança.

Integrando família, escola e saúde

O que torna o atendimento infantil mais completo é a colaboração entre pais, escola e profissionais de saúde. A escuta aos pais é o ponto de partida para essa integração. Quando pais, escola e saúde compartilham informações e estratégias, a criança tem um ambiente mais coeso e consistente de cuidados. As percepções dos pais trazem à tona aspectos do cotidiano que orientam o processo terapêutico de forma mais precisa.

Portanto, insisto: a criança é o centro do atendimento, mas os pais desempenham o papel de mediadores essenciais. Ouvi-los é cuidar também da infância de maneira completa, integrando as necessidades da criança com as expectativas e preocupações dos adultos que a cercam.

FAQ sobre a escuta aos pais no atendimento fonoaudiológico

Por que a escuta aos pais é fundamental no tratamento infantil?
A escuta ativa permite entender dúvidas, ansiedades e percepções que ajudam a ajustar o tratamento e orientar as intervenções no tempo adequado.

O que os pais devem relatar ao fonoaudiólogo?
Tudo o que observam no dia a dia: mudanças de comportamento, dificuldades de comunicação, avanços e até inseguranças da criança.

Escutar os pais substitui a avaliação da criança?
Não. A escuta complementa a avaliação clínica, oferecendo informações que não aparecem em testes ou sessões formais.

A ansiedade dos pais pode prejudicar o tratamento?
Sim, quando leva à pressa ou a expectativas irrealistas. Contudo, quando bem acolhida, pode servir como força para apoiar o processo terapêutico.

Como podem trabalhar juntos a família e a escola?
Compartilhando informações e estratégias, alinhando objetivos e mantendo um diálogo constante com os profissionais de saúde para um cuidado mais efetivo.

Rita Paula Cardoso

Fonoaudióloga clínica da infância, especializada no desenvolvimento da linguagem. No blog Fala Expressa aborda temas relacionados ao desenvolvimento da fala, linguagem, inclusão e bilinguismo.

Especialidades: Fonoaudiologia

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