Artigos
Marina Silva denuncia desmonte do licenciamento ambiental após aprovação no Senado
Ontem (22/5), a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, criticou duramente a aprovação do Projeto de Lei 2.159/2021 pelo Senado Federal. Segundo ela, a medida representa um “golpe de morte” no processo de licenciamento ambiental brasileiro. O projeto, que tramita há mais de duas décadas, retorna agora à Câmara dos Deputados para nova análise.
O texto aprovado no Senado propõe diversas alterações significativas no processo de licenciamento ambiental. Entre as principais mudanças, destacam-se:
- Dispensa de licenciamento para atividades consideradas de baixo risco ambiental.
- Isenção de licenciamento para empreendimentos agropecuários de pequeno porte, incluindo cultivo de espécies de interesse agrícola e pecuária extensiva, semi-intensiva e intensiva.
- Flexibilização de exigências para projetos considerados de interesse nacional ou em situações de calamidade pública.
Essas alterações têm gerado preocupação entre ambientalistas e especialistas, que alertam para os riscos de retrocessos na proteção ambiental e no cumprimento das metas climáticas do país.
Repercussão e posicionamento do governo
Durante cerimônia no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em comemoração ao Dia Internacional da Biodiversidade, Marina Silva expressou sua insatisfação com a aprovação do projeto. Ela afirmou que o governo é contrário ao desmonte do licenciamento ambiental e que continuará dialogando com o Congresso para reverter os retrocessos.
A ministra também destacou as dificuldades enfrentadas pelo governo em relação à base de sustentação no Congresso, reconhecendo que não é a primeira vez que sofre derrotas em agendas estratégicas. No entanto, reafirmou o compromisso de continuar lutando pela proteção ambiental no país.
Impactos potenciais do novo marco legal
Especialistas alertam que as mudanças propostas no novo marco legal do licenciamento ambiental podem comprometer a eficácia das políticas de proteção ao meio ambiente. A flexibilização das exigências pode facilitar a aprovação de empreendimentos com potencial de causar danos significativos aos ecossistemas e às comunidades locais.
Além disso, há preocupações quanto ao cumprimento das metas assumidas pelo Brasil em acordos internacionais, como a redução do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa. A aprovação do projeto pode enfraquecer a posição do país em fóruns internacionais sobre mudanças climáticas.
Próximos passos e mobilização da sociedade
Com o retorno do projeto à Câmara dos Deputados, organizações da sociedade civil e movimentos ambientalistas intensificam a mobilização para pressionar os parlamentares a rejeitarem as mudanças propostas. A expectativa é de que o debate se intensifique nas próximas semanas, com manifestações e campanhas de conscientização sobre os riscos do novo marco legal.
O governo, por sua vez, busca articular-se com aliados no Congresso para tentar reverter ou amenizar os impactos do projeto. A ministra Marina Silva tem se reunido com parlamentares e lideranças políticas na tentativa de construir uma base de apoio às propostas de proteção ambiental.
FAQ sobre Projeto de Lei 2.159/2021 e licenciamento ambiental
1. O que é o Projeto de Lei 2.159/2021?
É uma proposta que estabelece um novo marco legal para o licenciamento ambiental no Brasil, flexibilizando as exigências para diversos tipos de empreendimentos.
2. Quais atividades podem ser dispensadas de licenciamento?
Atividades de baixo risco ambiental, empreendimentos agropecuários de pequeno porte e projetos em situações de calamidade pública ou de interesse nacional.
3. Por que a ministra Marina Silva é contra o projeto?
Ela acredita que o projeto representa um retrocesso nas políticas de proteção ambiental e compromete o cumprimento das metas climáticas do país.
4. Quais são os riscos apontados pelos especialistas?
Possibilidade de aumento do desmatamento, danos aos ecossistemas, impactos negativos às comunidades locais e enfraquecimento da posição do Brasil em acordos internacionais.
5. O que pode acontecer a partir de agora?
O projeto retorna à Câmara dos Deputados para nova análise. Organizações da sociedade civil e o governo buscam mobilizar apoio para reverter ou amenizar as mudanças propostas.
Rogério Victorino
Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.
VER PERFILISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE
Antes de continuar, esteja ciente de que o conteúdo discutido entre você e o profissional é estritamente confidencial. A Era Sideral não assume qualquer responsabilidade pela confidencialidade, segurança ou proteção do conteúdo discutido entre as partes. Ao clicar em CONTINUAR, você reconhece que tal interação é feita por sua própria conta e risco.
Aviso de conteúdo
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita. O site não se responsabiliza pelas opiniões dos autores deste coletivo.
Veja Também
Mata Atlântica vira laboratório de restauração e desafia a própria história
Iniciativas aceleram restauração da Mata Atlântica e unem ciência, economia e clima. Bioma pode virar modelo global sustentável.
Agrotóxicos ficam mais tóxicos e Brasil se afasta da meta global da ONU
Estudo da Science mostra aumento da toxicidade dos agrotóxicos no mundo. Brasil figura entre países mais distantes da meta da...
Nova perereca descoberta no Cerrado mineiro reforça alerta sobre degradação de riachos
Nova perereca, Ololygon paracatu, surge em Paracatu (MG) e vive só em dois pontos. Achado reforça alerta sobre riachos degradados.
Cidades do Espírito Santo atingidas por Mariana terão R$ 131,9 milhões para reforçar rede de saúde
Governo anuncia R$ 131,9 milhões para saúde em 11 cidades do ES atingidas por Mariana, com hospital em Colatina e...







