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Sete em cada dez deslocados enfrentam ameaça climática, segundo Acnur
Em meados de 2025, o número global de pessoas forçadas a deixar suas casas atingiu 117,2 milhões. A marca revela a pior crise humanitária em décadas. Desse total, 86 milhões vivem sob riscos altos ou altíssimos ligados ao clima. O levantamento, divulgado pela Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), integra o relatório No Escape II: The Way Forward (Sem Escapatória II: o caminho a seguir, em tradução livre), divulgado pela Agência Brasil.
Crise climática amplia deslocamentos
As mudanças climáticas deixaram de ser um fator isolado e se tornaram parte central do fenômeno migratório. Somente nos últimos dez anos, tempestades, inundações e outros desastres ambientais provocaram 250 milhões de deslocamentos internos, o que equivale a uma média de 70 mil pessoas por dia. Esses números revelam a intensidade de uma crise que conecta o clima à sobrevivência humana.
No relatório, a Acnur destaca que guerras, perseguições e colapsos ambientais agora atuam de forma simultânea, multiplicando vulnerabilidades. O avanço do nível do mar, o aumento das secas e os processos de desertificação intensificam ainda mais o risco para milhões de famílias. Em muitos casos, os deslocados encontram abrigo em regiões que também sofrem com a escassez de recursos e infraestrutura precária.
Impactos no Brasil e em países vulneráveis
O relatório apresenta projeções alarmantes para os próximos anos. Em 2040, a quantidade de países expostos a riscos climáticos extremos deve saltar de três para 65. Entre eles, aparecem Brasil, Índia, Iraque, Camarões, Chade, Sudão do Sul e Nigéria. Juntos, esses países já acolhem mais de 45% das pessoas deslocadas por conflitos, o que torna o futuro dessas regiões ainda mais instável.
Os especialistas da ONU alertam que os campos de refugiados localizados em áreas mais quentes enfrentarão quase 200 dias de calor extremo por ano. As condições de sobrevivência tendem a se tornar insustentáveis, já que o aumento da temperatura e da umidade cria ambientes potencialmente letais. Em alguns locais, a combinação desses fatores pode tornar a vida humana simplesmente impossível.
Resiliência e acolhimento em risco
O estudo da Acnur reforça a necessidade de políticas globais que fortaleçam a resiliência das comunidades afetadas. A adaptação climática precisa ocorrer tanto entre os deslocados quanto nas populações que os recebem. Essas comunidades, em geral, também enfrentam vulnerabilidades socioeconômicas severas, o que exige cooperação internacional e investimento em infraestrutura básica.
Sem ações concretas, a humanidade corre o risco de assistir à expansão de um ciclo contínuo de crises. O deslocamento forçado deixará de ser uma consequência de eventos isolados e se tornará a regra em regiões inteiras do planeta. O relatório mostra que o desafio vai muito além de reconstruir abrigos: trata-se de repensar a convivência humana em um planeta que muda rapidamente.
Um alerta global para os próximos 25 anos
Se as tendências atuais persistirem, os deslocamentos causados por condições climáticas extremas poderão superar os provocados por guerras. O planeta entra em um período decisivo, em que políticas ambientais, econômicas e humanitárias precisam se integrar. A falta de ação coletiva pode transformar o século XXI em uma era de migrações permanentes e territórios inabitáveis.
FAQ sobre o relatório da Acnur
O que o relatório da Acnur revelou sobre deslocamentos em 2025?
O documento apontou 117,2 milhões de pessoas deslocadas no mundo. Sete em cada dez enfrentam ameaças diretas causadas por eventos climáticos extremos.
Como as mudanças climáticas contribuem para o aumento dos deslocamentos?
Desastres como inundações, tempestades e secas forçam milhões a abandonar suas casas. Esses eventos se somam a conflitos e perseguições, ampliando a crise global.
Quais países enfrentam os maiores riscos climáticos até 2040?
Brasil, Índia, Iraque, Camarões, Chade, Sudão do Sul e Nigéria estão entre os 65 países que enfrentarão riscos climáticos extremos nas próximas décadas.
Por que o relatório destaca os campos de refugiados em regiões quentes?
Esses locais podem registrar até 200 dias de calor perigoso por ano, tornando a sobrevivência difícil e elevando o risco de doenças e escassez de água potável.
O que a Acnur propõe para enfrentar essa crise global?
A agência defende medidas urgentes de adaptação climática, fortalecimento da resiliência das comunidades e cooperação internacional para reduzir o impacto humanitário.
Rogério Victorino
Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.
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