Minas Gerais tem maior área urbana em encostas íngremes no país

O crescimento das favelas em áreas de risco em Minas Gerais aumenta a exposição a desastres naturais e eventos climáticos extremos.
Minas Gerais tem maior área urbana em encostas íngremes no país
Foto: Agência Brasil / Tânia Rêgo

O crescimento das favelas em áreas de risco em Minas Gerais aumenta a exposição a desastres naturais e eventos climáticos extremos.inas Gerais lidera o ranking dos estados brasileiros com maior área urbanizada em terrenos inclinados, também conhecidos como áreas de risco. O dado foi revelado no mais recente Mapeamento Anual das Áreas Urbanizadas no Brasil, divulgado pelo MapBiomas.

No estado, quase 14,5 mil hectares de terras, ou 145 km², estão ocupados por construções em áreas de alta declividade, o que representa um grande risco para os moradores. Esse panorama se agrava, considerando as recentes tragédias causadas pelas chuvas intensas, como as que resultaram na morte de 72 pessoas em Minas Gerais na última semana.

Em termos de área, cada hectare corresponde a 10 mil metros quadrados, ou cerca de 1,4 vezes o tamanho de um campo de futebol profissional. O estudo indica que o crescimento das favelas e áreas urbanizadas em locais inclinados tem se acelerado de maneira alarmante, especialmente nos últimos 40 anos, período em que a urbanização total cresceu 2,5 vezes, enquanto a ocupação de áreas de risco cresceu mais de três vezes.

Risco cada vez maior

Entre 1985 e 2024, as áreas urbanizadas no Brasil passaram de 1,8 milhão de hectares para 4,5 milhões de hectares, um aumento anual de cerca de 70 mil hectares, equivalente ao tamanho de uma cidade de médio porte. No entanto, as áreas ocupadas em terrenos inclinados e suscetíveis a deslizamentos aumentaram ainda mais drasticamente: de 14 mil hectares para 43,4 mil hectares no mesmo período.

Mayumi Hirye, coordenadora do estudo, aponta que as mudanças climáticas têm intensificado esses riscos. A urbanização acelerada em áreas vulneráveis está tornando as cidades ainda mais suscetíveis a desastres ambientais. Ela alerta que a combinação de urbanização descontrolada e eventos climáticos extremos pode ter consequências devastadoras para as populações mais vulneráveis.

O impacto das enchentes e drenagem urbana

Outro fator de risco destacado pelo estudo é a proximidade de áreas urbanizadas com corpos d’água, como rios e córregos, onde a drenagem natural das cidades ocorre. Esses locais são propensos a inundações, especialmente em períodos de chuvas intensas, como as que têm se tornado cada vez mais frequentes devido às mudanças climáticas.

Em 2024, 1,2 milhão de hectares de áreas urbanas no Brasil estavam localizados em regiões de risco de inundação devido à proximidade de sistemas de drenagem natural. O Rio de Janeiro lidera a lista dos estados mais afetados, com 108,2 mil hectares urbanizados em áreas de drenagem natural, um número que quase dobrou nos últimos 40 anos. Em Rondônia, esse aumento foi ainda mais expressivo, com a ocupação de áreas de drenagem subindo de 7,3 mil hectares, em 1985, para 18,8 mil hectares, em 2024.

Como as mudanças climáticas afetam a ocupação urbana

Edmilson Rodrigues, engenheiro ambiental do MapBiomas, destaca que, historicamente, as cidades se estabeleceram em regiões próximas a corpos d’água, como rios e lagos, devido à necessidade de acesso à água. No entanto, as mudanças climáticas têm tornado essas áreas ainda mais vulneráveis.

Com o aumento de eventos climáticos extremos, como enchentes e deslizamentos, é crucial que a expansão urbana seja monitorada de perto, a fim de preservar a qualidade de vida e o ambiente natural. Reportagem da Agência Brasil.

FAQ sobre Minas Gerais e o crescimento das favelas e ocupação de áreas de risco

1. Como o crescimento das favelas afeta as cidades brasileiras?
O crescimento das favelas, especialmente em áreas de risco, como encostas e regiões próximas a corpos d’água, agrava os problemas de segurança e infraestrutura. Esse crescimento desordenado está associado a tragédias como deslizamentos e enchentes, que afetam principalmente as populações mais vulneráveis.

2. Qual é o impacto das mudanças climáticas na ocupação de áreas urbanizadas?
As mudanças climáticas intensificam os desastres naturais, como chuvas torrenciais e ondas de calor, que afetam diretamente as áreas urbanizadas em regiões vulneráveis. O aumento da ocupação dessas áreas torna as cidades mais suscetíveis a desastres, criando um ciclo vicioso de riscos ambientais e sociais.

3. Como a proximidade de corpos d’água influencia o risco de inundações?
Áreas urbanas situadas próximas a rios, córregos e outros corpos d’água enfrentam um risco maior de inundações, especialmente em tempos de chuvas intensas. Essas áreas de drenagem natural não conseguem mais absorver o volume de água devido ao crescimento urbano desordenado, exacerbando o risco de enchentes e outros desastres.

4. Quais são as cidades brasileiras mais afetadas por terrenos inclinados e risco de deslizamento?
Minas Gerais, especialmente cidades como Juiz de Fora, tem grande parte de sua área urbana em terrenos inclinados, o que torna essas áreas propensas a deslizamentos e desastres naturais. Outras capitais, como Rio de Janeiro e São Paulo, também enfrentam grandes áreas urbanizadas em declives, elevando o risco para os moradores.

5. O que pode ser feito para mitigar os riscos relacionados ao crescimento desordenado em áreas de risco?
É essencial implementar políticas públicas de planejamento urbano mais rigorosas, que considerem as características geográficas e ambientais locais. Além disso, deve-se investir em sistemas de drenagem eficientes, regularização fundiária e conscientização sobre os riscos para reduzir a vulnerabilidade das populações em áreas de risco.

Rogério Victorino

Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.

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