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O milagre do tempo: uma crônica poética sobre o ciclo da esperança
Há algo de mágico no ciclo que vivemos. Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, chamando essas porções de anos, talvez não imaginasse a genialidade do que criara. Foi como industrializar a esperança: um sistema engenhoso que nos permite recomeçar, sempre no limite da exaustão.
Afinal, doze meses bastam para qualquer um sentir o peso do cansaço e, por vezes, querer desistir. Mas, quando o último dia do calendário chega, algo extraordinário acontece: o milagre da renovação.
É quase poético pensar que, ao simples virar de uma página, a humanidade se permite acreditar de novo. Deixa para trás o que foi e abraça o que pode ser. Com outro número para marcar os dias, surge outra vontade, uma fé renovada, uma promessa de que o futuro será diferente, mais leve, mais brilhante.
Esse ritual de passagem é uma celebração de sonhos. É quando desejamos, para nós mesmos e para os outros, aquilo que de mais precioso podemos almejar: o amor que nos completa, a esperança que nos move, as cores que tingem nossa existência com alegria.
Desejamos a companhia de amigos mais cúmplices, famílias mais unidas e uma vida que valha ser vivida.
No fundo, ao começarmos um novo ano, entregamos nossa alma aos desejos. Queremos muito, e é justamente isso que nos dá propósito. Desejos grandes, tão grandes que possam nos mover, nos transformar e nos levar adiante quando tudo parecer desabar.
É por isso que o milagre do tempo não está no relógio ou no calendário, mas na capacidade humana de sonhar e acreditar. Um ano pode ser apenas um número, mas, para quem sonha, é um novo capítulo esperando para ser escrito.
E, no final, o que mais podemos querer além de muitos desejos e a coragem de segui-los rumo à nossa felicidade?
Que o próximo ano nos traga a possibilidade de sermos maiores do que fomos ontem. E que, a cada fatia de tempo que cortarmos, possamos encontrar o sabor da esperança, o abraço da amizade e o que tanto procuramos: o amor eterno.
Rubens Muniz Junior
Rubens de Azevedo Muniz Junior, economista, administrador de empresa, trader aposentado, 82 anos de idade, nascido em Pirajuí, é poeta, cronista, contista, romancista e amante de boa leitura. Viajou e residiu, a trabalho, fora do Brasil.
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