Conclave começa nesta semana para eleger o sucessor do Papa Francisco

Entenda a história do Conclave, como ele evoluiu ao longo dos séculos e como será a escolha do sucessor do Papa Francisco em breve.
Conclave começa nesta semana para eleger o sucessor do Papa Francisco
Foto: Canva

Com a morte do Papa Francisco em 21 de abril de 2025, a Igreja Católica volta seus olhos para um dos rituais mais antigos e solenes de sua história: o Conclave. Marcado para o dia 7 de maio, o encontro reunirá 130 cardeais com menos de 80 anos, vindos de 71 países, para escolher o novo líder da Igreja. Embora envolto em segredo e espiritualidade, o Conclave tem raízes históricas, marcadas por disputas intensas, transformações institucionais e episódios dramáticos que moldaram sua forma atual.

Uma tradição nascida da crise

A palavra “conclave” vem do latim cum clave, que significa “com chave”. A origem do termo remete ao isolamento obrigatório dos cardeais durante a eleição do papa, uma medida criada para evitar influências externas e acelerar o processo. Essa tradição nasceu de um momento de impasse que paralisou a Igreja por quase três anos.

Após a morte do Papa Clemente IV, em 1268, os cardeais reunidos na cidade italiana de Viterbo não conseguiram chegar a um consenso sobre seu sucessor. A população local, exasperada com a demora, decidiu agir: trancou os cardeais no palácio episcopal, reduziu suas refeições e chegou a remover o teto do edifício para forçá-los a concluir a escolha. O episódio, contudo, só terminou em 1271, com a eleição de Teobaldo Visconti, um leigo que nem fazia parte do colégio cardinalício e estava em missão na Terra Santa. Ele aceitou o cargo e assim tornou-se o Papa Gregório X.

Entretanto, determinado a evitar novos impasses, Gregório X promulgou em 1274 a constituição Ubi Periculum, que instituiu regras claras para o Conclave: isolamento dos eleitores, alimentação regrada e absoluto sigilo. Essas normas atravessaram os séculos com poucas alterações.

De aclamações populares ao colégio cardinalício

Nos primeiros séculos do cristianismo, a escolha dos papas ocorria por aclamação popular ou por decisão do clero romano. Essa prática, contudo, embora democrática em aparência, era vulnerável a pressões políticas e interesses seculares. Pois em 1059, o Papa Nicolau II transferiu oficialmente essa responsabilidade para os cardeais, criando o Colégio de Cardeais como único corpo eleitor.

Mesmo assim, por muito tempo reis e imperadores influenciaram diretamente nas decisões, seja por meio de alianças, ameaças ou subornos. Somente com o fortalecimento da autoridade papal e a consolidação das regras do Conclave é que o processo passou a ocorrer com maior autonomia e estabilidade.

O funcionamento atual

Hoje, o Conclave ocorre na Capela Sistina, dentro do Vaticano, e segue um rito rigoroso. Os cardeais eleitores ficam hospedados na Casa Santa Marta e vivem em regime de clausura até o anúncio do novo papa. Eles participam de celebrações litúrgicas, momentos de oração e rodadas de votação. Cada escrutínio é secreto e exige que um candidato obtenha dois terços dos votos para ser eleito.

Ao fim de cada sessão de votação, os votos são queimados em uma estufa especial. A fumaça que sai da chaminé da Capela Sistina indica o resultado: preta, quando não houve decisão; branca, quando um novo papa foi eleito. Nesse momento, o cardeal protodiácono aparece na sacada da Basílica de São Pedro e proclama ao mundo: Habemus Papam.

O Conclave de 2025: entre tradição e expectativa

Pois o falecimento de Francisco encerrou um papado marcado por reformas, abertura ao diálogo inter-religioso e atenção aos problemas sociais contemporâneos. Com sua partida, inicia-se uma nova fase na história da Igreja, cercada por dúvidas e esperanças. Até o momento, nenhum nome desponta como favorito, o que amplia o suspense em torno da decisão dos cardeais.

A expectativa recai sobre quem será capaz de dar continuidade ao legado de Francisco e, ao mesmo tempo, enfrentar os desafios de um mundo em rápida transformação. O novo papa deverá lidar com temas como a crise ambiental, o papel das mulheres na Igreja, os escândalos de abusos e a crescente secularização em diversos continentes.

Em meio ao mistério e à solenidade do Conclave, a Igreja Católica prepara-se para escrever mais um capítulo de sua longa história, com a esperança de que o Espírito Santo inspire uma escolha à altura dos tempos.

FAQ sobre o Conclave e sua história

O que é o Conclave?
É o processo secreto de eleição do novo papa, conduzido por cardeais com menos de 80 anos.

Quando surgiu o Conclave?
Foi formalizado em 1274 pelo Papa Gregório X, após o Conclave mais longo da história da Igreja.

Quantos cardeais participam do Conclave de 2025?
São 130 cardeais, representando 71 países diferentes.

Onde o Conclave acontece?
Na Capela Sistina, dentro do Vaticano. Os cardeais ficam hospedados na Casa Santa Marta.

Como se sabe que um novo papa foi eleito?
A fumaça branca que sai da chaminé da Capela Sistina indica que o novo papa foi escolhido.

Rogério Victorino

Jornalista especializado em entretenimento. Adora filmes, séries, decora diálogos, faz imitações e curte trilhas sonoras. Se arriscou pelo turismo, estilo de vida e gastronomia.

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